Os quatro chapéus dos sócios em clínicas oftalmológicas
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Os quatro chapéus dos sócios em clínicas oftalmológicas
26 Setembro 2019  | Seção: Colunas  |  Categoria: Coluna
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Administrar um negócio é tarefa fundamental para que ele seja viável e tenha condições de sobrevivência
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Crédito da Foto: Image by mohamed Hassan from Pixabay
Jeanete Herzberg - administradora de empresas graduada e pós-graduada pela EAESP/FGV. Autora do livro "Sociedade e Sucessão em Clínicas Médicas".

Há uns 15 anos, quando comecei a trabalhar com administração de clínicas e consultórios, os assuntos que me atraíram a entrar nesse mercado foram de sociedades, relacionamento dos sócios durante a vida de seus negócios, a dura decisão de começar a se desligar deles e de sucessão.
As dores que me são apresentadas são de todas as espécies: de falta de dados sobre o desempenho da clínica, sobre a dificuldade de melhorar o atendimento aos pacientes na parte administrativa (recepção, cobrança e outros) e tantas outras. Mas, sempre me surpreendo, quando levanto informações, converso com os sócios, com alguns funcionários e pessoas que se relacionam com a clínica: no amago dos problemas encontra-se a dificuldade de tomada de decisões entre os sócios e muitas vezes até pelo seu relacionamento precário.
Os sócios de consultórios e clínicas exercem diversas funções simultâneas e é muito importante tomar consciência, no momento da tomada de decisão, quais são as óticas de cada uma e como elas afetam essa decisão. 
Começo pelos sócios: são investidores que resolveram destinar seu dinheiro e/ou tempo em um negócio e esperam seus rendimentos. Poderiam ter escolhido adquirir ações na bolsa ou outros tipos de investimentos - a expectativa nesses casos, é sempre de remuneração do capital investido.
As decisões que os sócios devem tomar se referem ao rumo do negócio, seus objetivos e como alcançá-los. Suas responsabilidades abrangem todos os aspectos - desde os tributários e fiscais, até os trabalhistas, de relacionamento com os pacientes, convênios e tudo mais que se relacione ao negócio.
Em seguida, vamos pensar no médico - é o profissional que atende seus pacientes e é remunerado por seus honorários. Sua responsabilidade é pelo atendimento de excelência no que tange a saúde do paciente.
Alguns donos de clínicas também exercem a função de gestores, administrando seus negócios. Essa é uma função que requer atenção especial - é muito frequente haver discórdias quanto a dedicação do sócio gestor e aos outros que não se dedicam a essa atividade. 
Administrar um negócio é tarefa fundamental para que ele seja viável e tenha condições de sobrevivência. Quanto maior for a clínica ou consultório, maior será o tempo a ser dedicado a essa tarefa.
Sou da opinião que o sócio gestor deve ser remunerado por essa atividade e responsabilidade. Afinal, é tempo dele de dedicação, que é subtraído da possibilidade de atender seus pacientes ou de realizar qualquer outra atividade. 
Se os demais sócios exercerem outras atividades na clínica, como por exemplo, se responsabilizarem pelo relacionamento com convênios, ou atenderem as demandas dos recursos humanos da clínica, então as tarefas estariam equilibradas e não seria necessário remunerar ninguém especificamente. O tempo dedicado seria equivalente e, portanto, estaria equilibrado.
A tomada de decisão tem um forte componente emocional. Vi muitas vezes sócios de clínicas e consultórios, adquirindo equipamentos que se provaram financeira e economicamente inviáveis. 
Num caso específico em que trabalhei, fiz contas sobre a viabilidade econômico-financeira da compra de um equipamento. Estudamos o mercado, os valores que poderiam ser aplicados nos exames e chegamos à conclusão, de que com os custos de manutenção e utilização do equipamento, mais a sua rápida obsolescência, seriam necessários muito mais pacientes do que o mercado local. Além disso, o endividamento da clínica e o direcionamento dos recursos para o pagamento trariam riscos ao seu fluxo de caixa.
Expostos e discutidos todos os argumentos racionais, o dono da clínica adquiriu o equipamento e ficou extremamente feliz com sua decisão e emocionalmente satisfeito. São inúmeros os motivos pessoais que os levaram a tomar essa atitude. Contas, planilhas e tabelas com cálculos não representaram qualquer obstáculo para aquela decisão. 
O desafio que proponho é o de que os sócios, médicos e administradores de clínicas, a cada decisão de mais importância para seu negócio, procure entender a ótica com que está se baseando para resolver qual caminho tomar: como investidor, buscando o lucro e a viabilidade econômico-financeira, ou de médico que gostaria de ter o melhor equipamento (independentemente do preço, custos de operação e manutenção e outros aspectos), ou ainda como administrador que busca acomodar as necessidades do mercado com aquilo que a clínica pode/deve oferecer. Ou será que decidir pelo que dá mais gosto, alegria e projeção sempre levará a clínica ao sucesso?
Cada pessoa pode ter os quatro papeis sendo exercidos simultaneamente a cada decisão. A melhor combinação é dar vazão a todos eles para que a decisão seja equilibrada e com grandes chances de sucesso!
Fonte:
Universo Visual
Autor
Jeanete Herzberg
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