Tempo de leitura: 4 minutos

Ismael Marques de Albuquerque, CFP®

Olá, caro leitor.

Hoje volto com uma notícia não tão agradável, mas faz muito sentido em falarmos sobre ela, pois devido a esta busca incessante por alta rentabilidade utilizando investimentos que “não oscilam”, ou seja, esta procura pelo “melhor dos dois mundos”, segurança da renda fixa com potencial de ganho de renda variável as vezes acaba sendo um grande tiro no pé.

O COE, conhecido como um investimento de capital protegido, desta vez não serviu para isto, inclusive esta teoria foi colocada à prova, trazendo perdas significativas para os investidores que o possuíam. A grande pergunta que fica é: “Afinal, como um produto com capital protegido pode dar prejuízo?”

 

Desmistificando o COE: Oque é e como funciona?

O COE, de uma maneira muito simples, nada mais é que uma operação estruturada, mas para não ser tão genérico, ele é uma mistura de ativos de renda fixa com operações utilizando derivativos (que buscam a rentabilidade extra atrelada a um ativo, como uma ação, índice ou moeda).

Mas, neste caso específico, vamos falar sobre o COE denominado “BOND REPACK”, que já nasce sem capital protegido, inclusive isto fica bem claro em seu DIE (Documento de Informações Essenciais), que o seu assessor deveria ler antes de oferecê-lo.

O BOND REPACK, nada mais é que criar uma renda fixa sintética, traduzindo isto, é pegar uma dívida de uma empresa no exterior, ou seja, uma dívida dolarizada, trazer ela para o Brasil em reais e depois trocar a sua forma de remuneração, então uma dívida que antes era DÓLAR+Taxa, agora é uma dívida Pré Fixada em reais, mas para fazer toda esta estrutura, por obrigação das normas regulamentadoras, precisa ser encapsulada dentro de uma operação chamada COE.

 

Estudo de caso: Braskem e Ambipar, o que aconteceu?

A Braskem, uma empresa bastante conhecida e que já vinha dando alguns sinais de piora por causa de algumas dificuldades, como o evento geológico em Maceió, rumores sobre uma suposta venda de controle e por consequência o rebaixamento da sua nota de crédito fizeram com que aumentasse a percepção de risco para um evento de calote e já no caso de Ambipar, uma empresa que ano passado teve uma das maiores valorizações na nossa bolsa, totalizando aproximadamente 800% de alta e sendo recomendada por várias casas de análise, neste ano teve uma grande derrapada, pois o endividamento da companhia sem a garantia de caixa suficiente para honrar com suas dívidas, gerou o que chamamos de “Cross Default”, que nada mais é do que uma empresa dar calote em uma dívida e isto faz com que todas as outras dividas também sejam consideradas em atraso, o que já abre precedentes para uma “pré-recuperação judicial”.

O Resultado prático destes acontecimentos, devido ao aumento de risco de crédito, foi o mercado precificar esta possibilidade de calote e consequentemente trazendo o valor destas dívidas próximas de 0, então dentro do COE de BOND REPACK, existia uma cláusula de liquidação antecipada caso o ativo de referência (a dívida em dólar destas empresas) caísse abaixo de 50% do preço inicial.

 

Lições para o Investidor:

Depois de explicar para vocês sobre a empresa e como funcionava este COE especifico, podemos tirar algumas coisas, até porque não estou aqui para falar mal do produto, muito pelo contrário, se pararmos para avaliar, é uma forma bastante interessante do investidor comum poder acessar dividas de empresa com uma remuneração atrativa e sem a oscilação do dólar, mas a ganância por altas comissões e do lado do investidor, por remuneração bem acima da Renda Variável fizeram com que um produto sofisticado fosse banalizado e trouxesse prejuízos além do perfil do investidor.

Lição 1: Não Existe Almoço Grátis: Voltamos para a máxima do mercado financeiro. A promessa de ganhos ilimitados com risco zero é, na maioria das vezes, uma ilusão. Sempre há um risco embutido, mesmo que ele não seja óbvio.

Lição 2: Entenda o que Você Compra: O investidor precisa ir além do discurso comercial e ler os documentos do produto, como o DIE (Documento de Informações Essenciais). O risco de crédito da empresa-objeto era uma informação pública. Inclusive, sempre façam perguntas para o seu assessor/consultor levantando questões que não entenderam para realmente ter certeza no que está fazendo.

Lição 3: Adequação de Perfil (Suitability): Questione se um produto com essa complexidade é adequado para você. O papel do assessor/consultor é explicar todos os riscos, não apenas os benefícios e digo mais, o grande problema foi a quantidade do ativo em carteira, pois como estamos falando de risco de crédito, ou seja, “paga ou não paga”, temos que nos preocupar com o % que está sendo colocado neste investimento.

 

 Conclusão

O caso deste COE de Braskem e Ambipar não foi uma falha do mercado, mas sim a materialização de um risco previsto, ainda que nas “entrelinhas”.

O episódio serve como um amadurecimento forçado para o investidor brasileiro. É um chamado para uma análise mais crítica, para fazer mais perguntas e para entender que, no mundo dos investimentos, a verdadeira proteção vem do conhecimento. Por isto escolha bem o seu assessor/consultor e na maneira como você o remunera, para diminuir o conflito de interesses e realmente ter alguém com o compromisso de te ajudar com seus investimentos.

 

Precisa de ajuda para navegar neste cenário?

Aqui na Petrus Advisor, nosso compromisso é ajudar nossos clientes a atingirem seus objetivos, sempre respeitando seu perfil de investidor e com foco no longo prazo. Lembre-se, investir não é sexy, muito pelo contrário, é monótono e com viés de longo prazo, pois o mais importante é guardar dinheiro todos os meses, independentemente do que aconteça, pois apenas isto fará com que você atinja o que almeja.

Se esta coluna despertou um alerta, estamos à disposição para revisar seus investimentos e alinhar sua estratégia.

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