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Com participação internacional da Dra. Rosa Braga-Mele, encontro abordou o impacto da menor dispersão de luz na qualidade visual, na indicação de lentes trifocais e na experiência do paciente

Dr. Celso Boiánovsky

Realizado ontem, durante o horário do almoço no BRASCRS 2026, o “Simpósio Clareon® PanOptix® Pro: o que muda em uma trifocal com menos dispersão de luz?” reuniu especialistas para discutir a evolução das lentes intraoculares trifocais e os impactos clínicos da nova geração da plataforma da Alcon.

Dra. Rosa Braga-Mele

A sessão contou com palestra da Dra. Rosa Braga-Mele, oftalmologista canadense de grande reconhecimento internacional na área de catarata e cirurgia refrativa, e teve moderação do Dr. Celso Boiánovsky, com participação dos debatedores Dr. Walton Nosé e Dr. Armando Crema. O encontro destacou como a otimização do desenho óptico e a redução da dispersão luminosa podem ampliar a confiança na indicação de lentes trifocais para pacientes que buscam maior independência dos óculos.

Logo na abertura, a discussão ressaltou que a Clareon® PanOptix® Pro mantém características já conhecidas da plataforma PanOptix®, mas introduz uma melhora relevante no aproveitamento da luz. Segundo o material apresentado no simpósio, a nova lente eleva a utilização da luz de 88% para 94%, reduzindo a dispersão luminosa de 12% para 6%.

Em sua apresentação, a Dra. Rosa Braga-Mele reforçou que a mudança não representa apenas um dado técnico, mas um potencial ganho perceptível na rotina dos pacientes. “Tudo que você amava na Clareon® PanOptix®, agora com menos dispersão de luz, contraste melhor e basicamente a mesma lente, só que melhorada”, afirmou.

A especialista explicou que a otimização da estrutura difrativa permite melhor distribuição da energia luminosa em diferentes distâncias, com impacto principalmente na visão intermediária, na leitura em baixa luminosidade e na redução de fenômenos como halos e starbursts. “Os pacientes podem ler em situações de dim light, quando a luz está mais baixa, e podem ver melhor o contraste no computador”, destacou.

Um dos pontos centrais da palestra foi a seleção adequada dos pacientes. Para a Dra. Rosa, a lente tem indicação especialmente favorável em olhos saudáveis e em pacientes motivados pela independência dos óculos, desde que haja alinhamento claro de expectativas. “A gente quer um paciente muito motivado para a independência dos óculos, mas que entenda que não será sempre, sempre, sempre sem óculos”, pontuou.

A palestrante também enfatizou a importância de avaliação criteriosa da superfície ocular, topografia, biometria e OCT macular antes da indicação. Segundo ela, condições como olho seco significativo, irregularidades corneanas, membrana epirretiniana com tração ou alterações maculares importantes devem ser cuidadosamente analisadas antes da escolha de uma lente trifocal.

Dr. Armando Crema

Durante o debate, o Dr. Armando Crema avaliou que a nova geração pode ampliar a segurança na indicação da plataforma. “A gente já tinha uma lente muito boa, que agora tende a ser ainda melhor. A qualidade visual para perto, a visão em baixa luminosidade, o contraste e as disfotopsias devem melhorar”, comentou.

O Dr. Celso Boiánovsky também chamou atenção para o fato de que a evolução tecnológica preserva o comportamento já conhecido da lente, mas agrega um ganho global de qualidade. “Tudo se mantém, mas com uma melhora global. Talvez esse seja o ponto mais empolgante: o aproveitamento de energia e a distribuição da luz”, observou.

Outro tema discutido foi o possível impacto da Clareon® PanOptix® Pro nas estratégias de mix and match entre lentes trifocais e EDOF. Alguns especialistas relataram que, com o ganho de contraste e menor dispersão luminosa, pode haver tendência de ampliar o uso bilateral da trifocal em determinados perfis de pacientes. Ainda assim, os debatedores reforçaram que a individualização permanece essencial, sobretudo em casos pós-cirurgia refrativa, glaucoma inicial controlado ou alterações anatômicas discretas.

Ao comentar sua experiência inicial com a lente, a Dra. Rosa relatou menor número de queixas no pós-operatório. “Desde que comecei com a PanOptix® Pro, ninguém está reclamando de disfotopsias. Eu ainda pergunto, mas eles não dizem nada”, afirmou. Ela também destacou que a lente tem se mostrado mais tolerante em alguns cenários, embora a indicação continue exigindo avaliação rigorosa.

A discussão reforçou ainda a importância da bilateralidade para o desempenho visual em lentes multifocais. O Dr. Armando Crema lembrou que muitos pacientes podem apresentar queixas quando apenas um olho é operado com lente multifocal difrativa, ressaltando que “a função geralmente é dos dois olhos” e que a binocularidade contribui para melhor percepção de contraste e equilíbrio visual.

Ao final, o simpósio posicionou a Clareon® PanOptix® Pro como uma evolução dentro do segmento das lentes trifocais, com foco em maior aproveitamento luminoso, melhor contraste e menor dispersão de luz. Para os especialistas, o avanço pode representar uma nova etapa na personalização da cirurgia de catarata premium, ampliando as possibilidades para pacientes que desejam independência visual em diferentes distâncias, sem perder de vista o rigor na seleção e no preparo pré-operatório.

“Quando eu tenho uma lente mais fácil de usar, que sei que os pacientes vão ficar contentes, e o olho é saudável, eu me sinto mais confortável em indicar essa lente”, concluiu a Dra. Rosa Braga-Mele.

 

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