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Jeanete Herzberg – Administradora de empresas graduada e pós-graduada pela EASP/FGV. Autora dos livros “Sociedade e Sucessão em Clínicas Médicas” e “Conversando sobre Administração de Clínicas”

Há alguns anos, num congresso, em aula para uns 150 médicos, perguntei quantos da plateia enviavam seus extratos bancários da pessoa jurídica para a contabilidade. Menos de 10% levantaram a mão e alguns ainda me responderam: se eu mandar os extratos o contador saberá o que eu tenho e não quero isso.

Muito se tem falado sobre a reforma tributária, taxação para os mais ricos, isenção de impostos para os menos favorecidos e tantos assuntos mais.

Essas alterações provavelmente ainda serão decididas e publicadas até o final do ano, de tal forma a já entrarem em vigência em 2026.

Do que tenho lido e aprendido desse assunto, uma conclusão é bem clara para mim: para que cada um pague menos imposto, seja pela pessoa jurídica de suas clínicas ou pela pessoa física, ao receber honorários, dividendos e outras remunerações, será imprescindível ter toda documentação e movimentação bancária muto bem-organizada, assim como a contabilidade bem-feita e transparente.

Para aqueles que não tem uma contabilidade que forneça balancetes mensais e balanço anual, será muito provável que pagarão mais impostos. Explico: pelo que está estabelecido agora, antes da aprovação, haverá um redutor de imposto para aqueles que comprovarem que já pagaram tudo o que deviam. Ora, se não houver uma contabilidade que comprove o que foi pago, a cobrança será integral.

Minha percepção é a de que muitas clínicas contratam a contabilidade apenas para emitir os DARFs e eventualmente fazer a folha de pagamento dos funcionários.

Essa não é a essência do que os contadores podem oferecer e nem aquilo que, donos de clínicas, podem obter de dados e informações para uma boa gestão de seus negócios.

A contabilidade gera relatórios e informações que possibilitam um planejamento tributário visando o pagamento do mínimo possível de impostos e orientando os melhores caminhos para decisões patrimoniais – compra ou venda de ativos sob a ótica de redução de impostos e maiores ganhos aos empreendedores. Além disso, também podem influenciar no planejamento de sucessão, indicando melhores formas para repassar os bens aos sucessores, tanto da clínica quanto da pessoa física a seus herdeiros.

As máximas que ouço há anos, de que “o fisco nunca me pegou” ou “não vou deixar ninguém saber o que tenho” são cada vez mais obsoletas e fora da realidade. As receitas federal, estadual e municipal estão amplamente equipadas para cruzar todos os tipos de dados. De movimentação de pix, transferências, pagamentos, registros em cartórios de compra e venda de imóveis e outros bens são facilmente rastreáveis e fiscalizáveis.

É possível se planejar; os advogados e os contadores já estão pensando em alternativas legais para reduzir a carga tributária com a nova legislação que virá. Mas, o mais importante, é você, contribuinte, assumir que quanto mais organizado estiver, menor a chance de ser fiscalizado e maior a chance de conseguir otimizar o que tem a pagar de impostos.

Ou você ainda vai apostar que o fisco nunca o pegará?

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