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Com a pandemia do novo coronavírus, muito se tem falado sobre a relação entre o diabetes e maior risco de complicações com a covid-19. Mas também é preciso prevenir outras complicações dessa doença, que embora sejam menos comentadas, podem trazer danos irreparáveis. Uma delas, é a retinopatia diabética, que é um dano na visão causado pelo diabetes e uma das causas de cegueira mais frequentes no mundo. A literatura médica estima que de 20 a 30% das pessoas que convivem com a doença sejam acometias por essa complicação.
A retinopatia é uma complicação vascular do diabetes, assim como os problemas que a doença pode causar nos rins e coração, e está associada ao controle e tempo de doença. Por isso, quanto maior o tempo que uma pessoa convive com o diabetes, maior o risco de ter alterações oftalmológicas, especialmente se não houver o controle adequado.
Em entrevista ao programa de rádio Saúde com Ciência, a médica oftalmologista, Grazielle Fialho de Souza, pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde – Infectologia e Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da UFMG, explica que o principal sintoma da retinopatia diabética é uma piora da visão. Mas como quase todos as alterações iniciais do diabetes, costuma ser assintomática.
Por isso, é importante que pessoas diagnosticadas com diabetes realizem exames anuais para rastreamento da retinopatia para que essa complicação seja diagnosticada antes que o paciente tenha a perda da visão. “A detecção precoce e tratamento, muitas vezes, reverte o processo”, explica Grazielle.
Segundo a especialista, existem formas leves, moderadas e graves da retinopatia. As formas leves podem ser reversíveis com o controle da doença, sem necessidade de tratamento específico. Já as moderadas e avançadas passam por tratamentos específicos conforme os resultados dos exames realizados.
Rastreamento
Possíveis alterações vasculares causadas pelo diabetes podem ser visualizadas pelo exame fundo de olho, que é realizado com a pupila dilata por um médico oftalmologista. Todos os pacientes com diabetes devem realizar esse exame de maneira sistemática, mesmo que o controle glicêmico esteja bom.
O problema é que existe uma distribuição desigual de especialistas para realizar essa avalição, que estão mais concentrados nos grandes centros urbanos. Mas pesquisa realizada por Grazielle Fialho identificou que a teleoftalmologia pode se um recurso para ampliar acesso à saúde em regiões distantes ao diagnóstico precoce e, assim, reduzir casos graves da retinopatia e melhorar a qualidade de vida dos diabéticos.
De acordo com a especialista e autora do estudo, os pacientes que chegam ao serviço especializado já estão com grande risco de comprometimento da visão e muitos não chegaram a fazer nenhuma avaliação antes de chegar nesse ponto.
Além disso, a pesquisa identificou que a telemedicina pode tornar o rastreio da retinopatia diabética até 94% mais econômico para os cofres públicos. Saiba mais sobre esse estudo aqui.

Fonte: Faculdade de Medicina da UFMG

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