Na tarde de 15 de maio, durante o Brascrs 2026, a Sala Amazônia recebeu o Cataract Innovation Summit, simpósio promovido pela Alcon que reuniu seis dos principais nomes da cirurgia de catarata brasileira em torno de uma proposta sintetizada no subtítulo do encontro: do planejamento ao resultado, com precisão e velocidade. Sob a moderação do Dr. Otávio Bisneto, o encontro percorreu em pouco mais de uma hora todo o fluxo do procedimento moderno, da biometria pré-operatória aos parâmetros de fluídica e ultrassom da nova plataforma UNITY® VCS CS.
Biometria que vê o que outros não veem

Dra. Aileen Walsh
A abertura coube à Dra. Aileen Walsh, que apresentou uma série de casos em que o biômetro ARGOS® mediu o que aparelhos tradicionais não capturaram. Uma paciente pós-LASIK, com alta hipermetropia e astigmatismo, sintetizou para ela o impacto humano da tecnologia. “Ela me contou, ao final, que tinha ido a três lugares e ninguém conseguiu medir. E ainda pediu para me dar um abraço”, lembrou. Outro caso emblemático foi o de uma criança de sete anos com isometropia e opacidades vítreas, só mensurada com o ARGOS. “São casos que realmente me surpreenderam. A biometria ultrassônica a gente diminuiu muito”, afirmou. Dra. Aileen detalhou ainda o uso da fórmula Barrett True AL, do Barrett Toric Calculator e do Alcon Vision Planner para planejamento remoto como diferencial em pacientes candidatos a lentes premium. “A gente sabe quanto o astigmatismo da superfície ocular impacta o resultado, especialmente nas lentes de presbiopia”.
Do consultório ao centro cirúrgico em um fluxo único

Dra. Terla Castro
A Dra. Terla Castro, de Porto Alegre, conduziu na sequência um caso clínico para demonstrar como a conectividade do ecossistema Alcon transformou sua rotina. Paciente de 56 anos, com ceratocone frustro, olho seco, câmara estreita e indicação de lente fácica de alta dioptria, foi planejada inteiramente a partir da sala de consulta, em outro andar do prédio. “O meu centro cirúrgico fica no andar de cima, o ARGOS® também fica no andar de cima e, lá embaixo, no computador da sala de consulta, eu acesso o Argos como se estivesse mexendo nele pessoalmente. Faço todo o planejamento, escolho a lente, a toricidade, vejo a refração esperada e exporto direto para o centro cirúrgico”, relatou. Quando chego para operar, todos os dados do paciente já estão na tela do NGENUITY® 3D: biometria, lente escolhida, refração esperada e o eixo previamente definido. “Confiro se a caixinha da lente é a certa e já parto para a cirurgia. As marcações de incisão e do eixo da tórica vêm prontas do planejamento, e na hora do implante eu aciono o VERION® para o posicionamento final. Facilita demais a nossa rotina e otimiza o centro cirúrgico”.
A paciente atingiu 20/20 J2 no pós-operatório, com o RMS do olho esquerdo reduzido de 2 para 0,16. “O sistema tornou o trabalho mais ágil e prazeroso, e ainda melhorou minha postura, o que beneficia a mim e aos meus pacientes”, concluiu.
NGENUITY® 3D e o filtro monocromático otimizado

Dr. Durval Junior
Pioneiro brasileiro da visualização 3D em catarata, o Dr. Durval Junior, de Brasília, foi um dos pioneiros na cirurgia desse tipo no país em 2017. “A ampliação da imagem é enorme, a estereopsia é boa e o controle de iluminação muda a experiência. Hoje a gente opera com 50% de iluminação ou menos, e isso é fundamental em casos prolongados”, contou. Entre as descobertas pessoais ao longo dos anos, apresentou uma configuração própria de filtro monocromático otimizado, desenvolvida a partir das possibilidades do NGENUITY® 3D. “Diminuí bastante o azul de tripan. Esse filtro reforça o monocromático de tal forma que quase elimina a necessidade do corante. Hoje, ele faz parte do meu time”, afirmou.
Durval encerrou com um caso emblemático: uma cirurgia em paciente com esclerose lateral amiotrófica e rotação cefálica significativa, viabilizada pela rotação da cabeça óptica do microscópio. “Sentar sobre o peito do paciente para operar seria quase impossível. Com o 3D, foi viável”, lembrou. Para o cirurgião, o ganho ergonômico para a coluna do médico foi quase tão importante quanto o resultado da paciente. “No final, o músculo do sorriso dela apareceu. Valeu muito a pena”.
UNITY® CS, a nova plataforma no topo da linha

Dr. Otávio Bisneto
Coube ao Dr. Otávio Bisneto apresentar a nova plataforma da Alcon para cirurgia de catarata e vitreorretina. “Pela primeira vez, o melhor dos dois mundos está no mesmo aparelho. Quem antes precisava de um CENTURION® Vision System e um CONSTELLATION® Vision System, agora resolve tudo em uma única plataforma”, afirmou. O destaque técnico ficou para o movimento 4D da ponteira INTREPID Balanced Tip. “É um padrão de movimento que emulsifica o mesmo fragmento na metade do tempo, dissipando metade da energia. E, em vez de repelir, atrai o fragmento. Esse é o grande diferencial”. O oftalmologista enfatizou também as duas bombas peristálticas dedicadas, uma para aspiração e outra exclusiva para irrigação ativa. “O ACTIVE SENTRY® com o novo cassete reduz pela metade o surge que o CENTURION® já entregava de forma quase imperceptível”, completou.
Fluídica inteligente, velocidade e segurança

Dr. André Berger
O Dr. André Berger, cirurgião de alto volume, abriu sua participação com uma analogia que ele chamou de binômio segurança versus eficiência. “A fluídica inteligente desloca essa fronteira. Saímos do reativo e estamos chegando ao preditivo. Os sensores ficaram mais próximos do olho, o limiar de resposta diminuiu, e a ação se tornou imediata”, explicou. Berger destacou o ganho de velocidade do vent, mecanismo que injeta fluido para compensar a quebra de oclusão. “Em qualquer pressão, em qualquer vácuo, a resposta é muito similar. Isso muda o jogo para o cirurgião que se aventura em fluidos mais altos, com mais segurança”.
Mais importante para ele, foi a mudança do perfil do followability. “O longitudinal era negativo, empurrava o fragmento. O torcional era neutro. Agora, com esse novo movimento, ele passou a ser positivo, quase magnético: a ponteira atrai o fragmento em vez de repelir”.
Comentou também o Irrigation Factor, que ganhou representação visual na nova interface do UNITY®. “Em vez de citar por números, o aparelho mostra a incisão configurada, a ponteira escolhida e os níveis usados, e permite ajuste fino. A predição chegou muito mais próxima da realidade”. Sua conclusão consolidou a ideia central do simpósio. “Velocidade e segurança deixaram de competir, agora caminham juntas. A cirurgia pode continuar sendo prática, de alto volume, e agora também ser fisiológica”.
Seis meses de Unity na prática

Dr. Fernando Heitor
Primeiro usuário do UNITY® VCS no Brasil, o Dr. Fernando Heitor apresentou vídeos da sua experiência após meio ano de uso. Antes de comentar os parâmetros, fez uma observação sobre o ecossistema. “Com o NGENUITY® e o LuxOR RevaliaTM, a imagem é tão limpa que parece quase não haver catarata. Ficou difícil até graduar a dureza no vídeo, então em alguns casos eu mostrei cirurgias com laser para vocês conseguirem visualizar a fragmentação”, brincou.
O primeiro vídeo foi pensado para demonstrar o efeito de atração do movimento 4D. “Aqui eu fragmento a catarata e, com o chopper, retiro o fragmento da ponta da agulha. Vejam que, quando aciono o ultrassom, mesmo com o pedaço afastado, ele é trazido de volta para a ponta”, descreveu. Para Heitor, esse comportamento muda inclusive a relação com o pedal. “Antes, a gente dependia muito do controle preciso do pedal para esperar a fluídica acontecer. Agora, simplesmente apertando o pedal 3, a massa vem para a ponteira”.
O segundo vídeo foi de uma catarata 5+ em uma paciente de 84 anos, com visão muito comprometida. “Eu fiz questão de mostrar essa cirurgia com laser porque o LenSx® funciona bem em cataratas grau 4, mas em grau 5 ou 6 a transmissão da luz fica comprometida e ele não consegue cortar a parte posterior. “Comecei em 47 mmHg, fui baixando para 35, depois 30, e em outro vídeo cheguei a 25 e a 20. O inflow, na lateral da tela, chegou a 51 com a pressão setada em 20. É a segunda bomba compensando o influxo em tempo real, em qualquer pressão a câmara fica estável para você trabalhar”. E ilustrou o ganho em densidade. “Se eu operasse essa mesma paciente no CENTURION®, da sala ao lado, provavelmente precisaria de um CDE em torno de 10 para resolver. Aqui, com o UNITY® 4D e a fluídica nova, fiz com muito menos”.
Ao final, recomendou cautela na transição. “A máquina trouxe mais segurança para a gente usar os parâmetros do dia a dia em níveis mais fisiológicos, não necessariamente para mudar tudo de uma vez”, concluiu.
Cirurgia mais fisiológica como horizonte comum
No bloco final, Durval Junior retomou a comparação com a geração da infusão gravitacional. “Cheguei a testar 1,5 metro de altura de garrafa no CENTURION®, era insuportável. Hoje, com a infusão ativa e agora a fluídica inteligente, viramos um capítulo. Posso trabalhar com vácuo de 700 e flow próximo de 60 com mais tranquilidade”, afirmou. Já Otávio Bisneto reforçou o papel do sensor de temperatura na ponteira (permitindo controlar a temperatura intraocular em tempo real, diminuir a energia dissipada em até 40% e proporcionar maior estabilidade nos procedimentos) do UNITY®, que interrompe automaticamente o ultrassom se houver risco de queimadura da incisão, e da tecnologia UNITY® Intelligent Fluidics, com seus sistemas proprietários e exclusivos de controle de pressão e fluxo, proporciona maior estabilidade cirúrgica durante os procedimentos.
A mensagem comum, costurada ao longo do simpósio, foi resumida por Berger ao final: pressão baixa, controle de fluídica e ultrassom inteligente permitem uma cirurgia mais fisiológica sem abrir mão da eficiência. “A cirurgia pode continuar sendo de alto volume e, agora, também ser fisiológica”. Encerrando o encontro, Otávio Bisneto agradeceu à Alcon o investimento em ensino médico e o apoio ao BRASCRS, marcando o tom de um simpósio em que tecnologia e prática clínica caminharam efetivamente lado a lado.



