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Especialistas em cirurgia refrativa explicam quais pacientes tendem a se beneficiar mais dos colírios mióticos e quando evitá-los.

Os colírios de presbiopia consolidaram, nos últimos anos, um espaço próprio na prática refrativa. Formulações à base de pilocarpina em diferentes concentrações e, mais recentemente, agentes não pilocarpínicos como a aceclidina ampliaram as opções para pacientes que buscam reduzir a dependência dos óculos de leitura sem passar por cirurgia.

Estima-se que cerca de 1,8 bilhão de pessoas no mundo tenham presbiopia, e boa parte permanece insatisfeita com os métodos convencionais de correção. Isso explica por que muitos pacientes já chegam ao consultório perguntando sobre o colírio, geralmente bem motivados a experimentá-lo.

Quem tende a se beneficiar

O perfil mais respondedor costuma estar entre 40 e 55 anos, satisfeito com a visão de longe, mas incomodado com tarefas de perto. Isso inclui pacientes fácicos com presbiopia leve a moderada e pseudofácicos monofocais que querem função de perto sem depender de óculos. Pacientes plano-présbitas, com excelente visão de longe, também costumam responder bem, usando o colírio como ponte até que a cirurgia se torne mais indicada.

Quando ter cautela

A recomendação geral é evitar o uso em altos míopes, mesmo após cirurgia refrativa prévia, pelo maior risco retiniano associado ao comprimento axial aumentado. Uveíte ativa e ângulo estreito exigem avaliação individual, com gonioscopia quando houver suspeita. Pacientes muito dependentes de visão noturna também podem não tolerar bem o escurecimento de campo causado pela miose.

Como orientar o paciente

Explicar que o colírio não é uma cura, mas um recurso para pausar o uso dos óculos, ajuda na adesão. É importante alertar previamente sobre efeitos como cefaleia, ardência, embaçamento transitório e hiperemia, já que tendem a diminuir com o uso contínuo. Recomenda-se manter o tratamento por ao menos duas semanas antes de avaliar o efeito real, e fornecer um material simples com sinais de alerta, como flashes ou moscas volantes novas, que exigem contato imediato com o oftalmologista.

Quando um agente não traz resultado satisfatório ou causa efeitos colaterais incômodos, trocar de formulação costuma ser o próximo passo, sempre revisando antes a saúde retiniana e o ângulo da câmara anterior.

Fonte de inspiração: Review of Ophthalmology, “Patient Selection Pearls For Presbyopia Drops” (janeiro de 2026). Texto adaptado e reescrito pela redação da Universo Visual.

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