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A pandemia aumentou em 80% o tempo que o brasileiro fica conectado à internet, comparado a 2016. Em média, hoje passamos 9:29 horas/dia conectados, contra 5:14 horas/dia em 2016. É o que mostra um estudo da Hootsuite, referência em pesquisa no setor. Pior: Hoje o maior problema de saúde pública relacionado à visão é a miopia, dificuldade de enxergar à distância que está em expansão no mundo todo e tem no abuso das telas um importante fator de risco. 
De acordo com o oftalmologista Leôncio Queiroz Neto do Instituto Penido Burnier a boa notícia é que acaba de chegar ao Brasil uma lente de contato que diminui até 55% a progressão da miopia em crianças. Por enquanto, são poucos os oftalmologistas no País com certificação para adaptar a nova lente. Queiroz Neto é um deles. A indicação ideal, comenta, são crianças de 8 a 12 anos. “Por prevenção, recentemente adaptei em um paciente de 6 anos que na primeira consulta foi diagnosticado com 4,5 de miopia”, afirma.  “Tomei esta decisão porque já é bem conhecido pela Oftalmologia que quanto antes a miopia é contraída, maior a necessidade de controlar a progressão para evitar a perda da visão na idade adulta, decorrente de doenças relacionadas à alta miopia”.
Este foi o caso de D. P. (45) que aos 32 perdeu a visão de um olho por descolamento de retina. Ela conta que descobriu a miopia aos 3 anos quando recebeu o diagnóstico de 3 graus. Sofreu bastante com a visão porque tinha diferença de grau entre os olhos e estrabismo. Na infância usou um tampão no olho de melhor visão para não perder o outro. Mesmo assim atingiu 19 graus de miopia quando sofreu o descolamento de retina aos 32 anos. “Perder um olho é muito traumático mesmo quando você não enxerga quase nada com ele. O impacto psicológico do descolamento de retina foi grande. Tive de abandonar a profissão e hoje trabalho como cuidadora de idosos. Tenho duas filhas e não posso me entregar”, conclui.
Queiroz Neto alerta que na pandemia o confinamento somado à substituição das aulas presenciais pelo ensino online faz a miopia passar despercebida pelas mães e crianças porque só a visão de perto é exigida. O problema é que cada hora adicional de conexão à internet aumenta a predisposição das crianças à miopia que geralmente aparece até a idade de 10 anos quando o olho completa seu desenvolvimento.  Por isso, nesta fase o excesso de esforço visual para perto provoca stress nos músculos ciliares que respondem pela alternância de foco para as várias distâncias e pode deixar a focalização acomodada só para perto. 
Prevenção
O especialista explica que o olho sofre duas alterações relacionadas à miopia. Uma é a perda do formato esférico da córnea, lente externa, que se torna mais curva que o normal. Por isso, invés das imagens se formarem na retina, se formam na frente e tudo o que está distante fica desfocado. 
A outra é o crescimento acima do normal do comprimento axial, distância entre a parte da frente e o fundo do olho, que fragiliza a retina. Quanto mais alta a miopia, maior é o comprimento axial que aumenta em 30% o risco de descolamento de retina, 57% de maculopatia miópica, 21% de catarata subcapsular e 20% de glaucoma.
Queiroz neto explica que o formato da lente convencional para correção da miopia é diferente do formato da retina.  Por isso, enquanto a porção central da lente focaliza as imagens na mácula, porção central da retina responsável pela visão de detalhes, a periferia projeta a imagem atrás da retina e isso estimula o crescimento do olho.
“A nova lente corrige este problema através de dois arcos na periferia que projetam a imagem periférica na frente da retina. Esta alteração na engenharia da nova lente controla o crescimento do olho e a progressão da miopia”, afirma.
O oftalmologista ressalta que tratamento preventivo pode ser reforçado com 15 minutos diários de sol. Isso porque, a radiação UV (ultravioleta) emitida pelo sol fortalece a esclera, parte branca do olho, e dificulta a alteração na curvatura que faz as imagens se formarem na frente da retina. “O sol também ajuda a regular o crescimento do olho porque estimula a produção de dopamina, hormônio do bem-estar, essencial neste monitoramento.
Outras dicas do especialista são: orientar as crianças a olhar para pontos distantes com frequência quando estiverem navegando na internet, piscar mais intercalar o uso dos equipamentos com outras atividades sempre que possível. “Depois do início da alfabetização o ideal é que toda criança passe anualmente por uma consulta oftalmológica, principalmente com os novos riscos da vida digital”, conclui.

Fonte: Eutropia Turazzi – LDC Comunicação

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