
Agora em abril participei do Congresso da ASOA – American Society of Ophthalmic Administrators (Sociedade Americana de Administradores em Oftalmologia) – que aconteceu em Washington D.C. – EUA.
Esse evento ocorre em paralelo ao Congresso da American Society of Cataract and Refractive Surgery – ASCRS – que reúne milhares de oftalmologistas do mundo inteiro para desenvolvimento de técnicas, aprendizado, especializações, novos equipamentos, medicamentos e muito network.
O Congresso da ASOA conta com dezenas de palestras em mais de 10 salas paralelas. Além disso, nos horários de almoço e intervalos do café também ocorrem atividades como mesas redondas para conversas de assuntos específicos, visita aos stands de prestadores de serviços da área de administração de clínicas, entre outros.
São muitos congressistas que atuam na gestão das clínicas americanas e os temas tratados vão de liderança, marketing, finanças, inteligência artificial, valoração de clínicas, compra e venda de clínicas, painéis de indicadores de desempenho, relacionamento com pacientes, contratação de médicos entre outros. Há palestras para todos os gostos e vontades!
É sempre uma experiência estimulante e desafiadora. Estimulante pois traz novidades e questionamentos que talvez não tenhamos ainda pensado por aqui. Desafiadora pois além de todas as palestras serem em inglês, há que se considerar que nós temos outro ambiente de negócios no Brasi e é necessário se ter a abertura para entender do que se trata e tentar “traduzir” para nossa realidade.
O que mais me chamou a atenção foi a pauta de Inteligência Artificial na administração de clínicas. Stands oferecendo diversas soluções de cadastramento, recepção, encaminhamento de pacientes, prontuários e cobranças de maneira a facilitar a vida do paciente e da própria clínica.
Mas, durante minhas conversas com esses fornecedores, ficou muito claro para mim, que sim, a Inteligência Artificial poderá ajudar e muito, desde que exista inteligência humana para criação, implantação e uso de maneira efetiva.
É preciso conhecer a rotina da clínica, as características dos pacientes, as formas de cobrança (como o paciente paga – via plano de saúde ou particular, por exemplo) para se conseguir direcionar todos os processos de maneira que funcionem.
Tive uma experiência recentemente, aqui em São Paulo, quando tentei marcar exames de sangue em dois laboratórios diferentes, que anunciam largamente que todo o processo de agendamento é feito automaticamente, via inteligência artificial. Nos dois casos aconteceu o seguinte: consegui marcar o horário e a unidade em que faria os exames; enviei o pedido médico e na hora de cadastrar a forma de pagamento não existia a possibilidade de eu pagar diretamente, como particular! Os sistemas paravam e ficavam pedindo para que eu mandasse uma foto da carteirinha do convênio. Acabei resolvendo o problema por telefone mesmo. Resumo da ópera: não adianta ter Inteligência Artificial se os processos não forem bem-feitos, lógicos, coerentes e estudados por pessoas.
A conclusão de hoje é a seguinte: com ou sem Inteligência Artificial a realidade exige que os sócios e os administradores de clínicas tenham controle e visão do seu negócio para que possam tomar as melhores decisões possíveis para alcançarem o sucesso.
O risco é do empreendedor, assim como a inteligência para administrar o seu negócio!



