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Enquanto 9% nunca passou pela avaliação de um médico especialista em olhos – o número dobra para 18% quando falamos de indivíduos entre jovens de 18 a 24 anos. A pesquisa foi realizada em dezembro, com 2 mil internautas, a partir de 18 anos, das classes ABC.
 
De acordo com os especialistas, 57% das pessoas não seguem uma rotina de prevenção adequada. Nesse cenário já preocupante, a pandemia do novo coronavírus (Sars-Cov-2) agravou a situação: a pesquisa mostrou que 4 em cada 10 entrevistados deixaram de frequentar o oftalmologista e estão esperando a pandemia passar para retornar ao médico.
O adiamento não seria tão grave desde que as pessoas de fato fizessem o acompanhamento periódico. Entre aqueles que não têm um problema de visão previamente diagnosticado, metade não faz acompanhamento preventivo, reforçando que a doença visual silenciosa é um perigo para os menos cautelosos.
A recomendação é que a consulta com um oftalmologista seja feita todos os anos, especialmente com um cenário de aumento do uso de telas digitais e de envelhecimento da população (como é o caso do Brasil atualmente), dois fatores que podem tornar mais frequentes, na população mais jovem, altos graus de miopia; e na população mais velha, os quadros de catarata.
“Algumas doenças não são facilmente percebidas porque apresentam sintomas que não estão diretamente relacionados à visão, como dores de cabeça e baixa concentração. É o caso também do glaucoma, com sintomas que só são percebidos quando a doença já está em estágio mais avançado”, explica a Débora Sivuchin, oftalmologista da Johnson & Johnson Vision.
Percepção contraditória
Curiosamente, a pesquisa indica um comportamento contraditório na população, que pouco busca atendimento de rotina mas diz considerar importante esse tipo de cuidado. Entre os entrevistados, a maioria (83%) concorda que a saúde dos olhos é muito importante, enquanto 81% têm conhecimento que exames preventivos podem detectar sinais iniciais de outros tipos de doenças e problemas nos olhos.
Os dados mostram ainda que mais da metade das pessoas (56%) utiliza alguma forma de correção visual. Entre as principais doenças diagnosticadas entre os participantes, miopia e astigmatismo aparecem entre as três mais comuns, com 30 e 23% respectivamente, ao lado de ansiedade/depressão, com 26%.
“Mesmo entre quem sabe dos benefícios da prevenção, vemos uma ausência de ação: 73% das pessoas concordam que o uso excessivo de telas digitais prejudica a visão, mas não faz um acompanhamento médico”, afirma a médica especialista Débora Espada.
Ela diz ainda que isso provoca, por exemplo, uma falta de conhecimento relativo às tecnologias disponíveis atualmente para ajudar a prevenir o avanço de doenças. “Para quem já faz uso de óculos ou lentes de contato para correção visual, existem opções de lentes de contato com proteção contra radiação UV e luz azul das telas que ajudam a prevenir problemas da retina, como a degeneração macular e catarata”, explica.
Envelhecimento populacional
O crescimento de pessoas entrando na terceira idade também é um fator importante quando falamos dos cuidados com a visão. A pesquisa abordou essa questão e mostrou que entre o público acima de 55 anos, 54% não faz o cuidado preventivo da visão, apesar de 58% das pessoas afirmarem saber o que é catarata e 44% terem ciência sobre glaucoma. 
O médico Hallim Feres Neto alerta que estas são doenças muito mais facilmente tratadas ou acompanhadas quando em estágios iniciais. “A catarata é a principal causa de cegueira reversível do mundo. No entanto, quanto antes o diagnóstico, mais simples é o acompanhamento e a cirurgia, quando necessária, trazendo riscos menores ao paciente”, explica.

Fonte: Uol

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