
Jeanete Herzberg – Administradora de empresas graduada e pós-graduada pela EASP/FGV. Autora dos livros “Sociedade e Sucessão em Clínicas Médicas” e “Conversando sobre Administração de Clínicas”
Estou fazendo uma pequena reforma no meu apartamento. Pó, sujeira, barulho e várias pessoas circulando. É o custo que se tem, visando o prazer e alegria de deixar tudo em ordem e poder desfrutar quando estiver pronto.
O que me levou a dar esse passo? Desde que moro nesse apartamento tudo passou a ser rotina e com pouco olhar para possíveis mudanças e melhorias. Até que houve um vazamento no banheiro. E, de repente, uma vontade de mudar tudo, trazer vida, cor e beleza.
Eu estava confortável? Sim! Tinha algo incomodando? Não. Mas, uma nova perspectiva se abriu com a possibilidade de mudanças. A escolha de novos materiais, revestimentos, cores que me agradam mais, me impulsionaram para o diferente.
Conforme a reforma vai andando vão surgindo novos problemas, itens que se estragaram e não percebi, além de materiais que já não servem mais e que trazem novos desafios de escolha e de aumentar o tempo de trabalho no projeto.
E o que tudo isso tem a ver com as clínicas oftalmológicas e seus sócios?
Na relação dos sócios, bem como na administração das respectivas clínicas, vejo acomodação na forma de convivência, na forma de se tocar o dia a dia. A rotina de atendimento e especialmente das tarefas e questões de gestão ficam automatizadas e nem há a percepção de que as coisas podem e devem ser mudadas, atualizadas.
E, talvez mais importante ainda, é o relacionamento entre os sócios. Problemas que são “empurrados com a barriga”, atritos não enfrentados nem busca de soluções efetivas e muitas vezes disputas de poder que acabam dificultando o dia a dia da clínica cujas consequências nem mais conseguem ser percebidas e mudadas.
O encanador que está trabalhando na reforma me disse no começo da obra: “para se fazer omelete é preciso quebrar os ovos” – para alcançar a beleza e praticidade que quero na minha casa, será necessário passar pelo pó, sujeira e barulho.
E na sua sociedade, quais ovos terão que ser quebrados para compor uma boa refeição com omelete? Para se chegar a um bom resultado é preciso enfrentar as situações. Deixá-las pairando sem solução certamente trará problemas nos momentos mais difíceis.
Se você gosta de omelete, quebre os ovos e bom apetite!



