
Ser incluído entre os 10 mais influentes pesquisadores da Oftalmologia em 2025 pela revista The Ophthalmologist é uma felicidade e uma honra que carrego com profunda gratidão. De fato, é a quinta vez que estou presente na Power List desde seu início em 2014. Entretanto, mais do que reconhecimento, recebo esta distinção como a reafirmação de um propósito: evoluir, contribuir e servir — com autenticidade, excelência e consciência.
Minha trajetória nasce de uma tradição familiar. Além de neto de médico, sou filho de dois oftalmologistas. Meu pai, Dr. Renato Ambrósio, foi pioneiro na Cirurgia Refrativa no Brasil, em um tempo em que ousar inovar exigia não apenas competência e conhecimento técnico, mas profunda coragem. Sua dedicação e paixão moldaram minha infância e seu exemplo segue comigo após sua partida precoce em 1994. Após sua morte, minha mãe, Dra. Vera Martins Ambrósio, assumiu a clínica e a criação dos filhos com bravura e amor. Sua presença firme e resiliente manteve viva a missão da nossa família. Essa tradição não é um fardo. É um alicerce legítimo, uma honra, uma fonte constante de sentido. Tenho orgulho e prazer por trabalhar ao lado do meu irmão, Dr. Rodrigo Ambrósio, especialista em retina e excelente cirurgião, que mantém o compromisso com a ética e a qualidade técnica na prática clínica.
Desafios reais e escolhas conscientes
Atuamos em um Brasil desafiador, com instabilidade econômica, sobrecarga institucional e desigualdade no acesso à saúde. Mesmo diante desses obstáculos, nossa oftalmologia é respeitada globalmente nos três pilares fundamentais da profissão: assistencialismo, formação acadêmica e pesquisa. A excelência tem fundamento em diversos centros de referência em todo o país, com prática usando tecnologia de ponta por cirurgiões muito bem treinados. A formação acadêmica sólida se destaca, pois já atrai médicos de todo o mundo para fazer ou completar o treinamento no Brasil. Além disso, a pesquisa e desenvolvimento científico que fazemos se destaca em todas as especialidades da Oftalmologia. Com isso, podemos (e devemos) reconhecer que a Oftalmologia no Brasil é uma das maiores e mais desenvolvidas no mundo.
Conciliar a vida acadêmica, como professor na UNIRIO e UNIFESP, com a prática clínica privada de excelência no Rio Vision Hospital e Instututo de Olhos Renato Ambrósio é desafiador. Aprender a empreender foi uma lacuna que tive que preencher após a minha formação médica que incluiu 6 anos de faculdade de medicina, um na aeronáutica e residência no Hospital Souza Aguiar, mais três em São Paulo no Instituto de Oftalmologia Tadeu Cvintal e mais quatro anos de doutorado na Universidade de São Paulo (USP) que incluíram os dois anos de fellowship na Universidade de Washington em Seattle (EUA).
Esta base me permitiu fundar e liderar a BrAIN (Brazilian Artificial Intelligence Network in Medicine) e a Ambrósio Vision Academy, o que é uma construção complexa, mas estimulante. Trata-se de um projeto em colaboração com mentes brilhantes, como o Prof. Aydano Machado. Exige dedicação que se sustenta na clareza de valores e coerência para escolhas conscientes. Também sou marido, pai, filho e irmão. Minha esposa Renata, médica e parceira incondicional, traz minha sustentação e amor para o nosso lar. E minhas filhas, Rafaella e Giovanna, são meu maior porquê. São elas que me lembram que excelência só tem valor quando vivida com presença e amor.

A inteligência artificial (IA) é uma revolução incontornável e faz parte do “agora”. Enquanto aprendemos como podemos aplicar para as diversas necessidades diárias, IA não deve substituir o médico, mas sim, deve empoderar. Na BrAIN, desenvolvemos esta filosofia. Por exemplo, o BEES (BrAIN Enhanced Ectasia Software) combina o TBIv2 com o RTA (Relational Tissue Altered), elevando a capacidade de avaliar o resco de ectasia em cirurgia refrativa.
Mas essas ferramentas exigem ética e responsabilidade. O uso da IA deve ser transparente e supervisionado. Por isso, reconheço aqui, com tranquilidade e consciência, o uso do ChatGPT como apoio para estruturar este texto. A ferramenta contribui para a produtividade e clareza, mas o conteúdo reflete minha autoria, valores e vivência.
Ser Melhor
Ao longo da minha jornada, aprendi a me expressar em palavras que me inspiram e se renovam no sentido. Compreendi que excelência não é destino, mas a jornada, tal como a felicidade. Traz propósito e gratidão por viver no momento e por estar no mundo. Essa visão se reflete no poema que escrevi em março de 2024 e compartilho aqui:
Ser Melhor
Renato Ambrósio Jr.
(29/03/2024)
Dar Seu melhor não é ser O melhor.
Evoluir não é conquistar ou ganhar.
Aprender não é saber tudo.
O Paradoxo da Perfeição,
buscada na consciência de ser inalcançável.
Otimizando, Servindo e Contribuindo.
Bastando e me entregando.
Dar meu melhor, para tornar-me melhor.
E ficar bem. Florescer.
Educação e legado vivo
Acredito que a excelência clínica inclui, ou mesmo se inicia, na educação do paciente. Considerando o triangulo de tecnologia, conhecimento e zelo, a campanha Violet June foi criada para promover conscientização global sobre o ceratocone e os riscos do ato de coçar os olhos. A iniciativa teve início conosco no Rio de Janeiro em 2018 e hoje ecoa internacionalmente. O sucesso da campanha veio quando dois colegas, um argentino e outro da Índia me explicaram sobre a campanha e da importância para eu participar. Este “não reconhecimento” da origem da campanha me deixou especialmente feliz, pois o objetivo genuíno não era me promover, mas trazer informações de forma acessível ao paciente e familiares. A mensagem é clara: educar pode prevenir sofrimento. Também, a informação certa e no momento certo, como orientar para não coçar os olhos, pode mudar a história natural de uma doença.
Estar na Power List não é um simples troféu, mas um lembrete de minha responsabilidade. É um convite a continuar servindo com humildade, autenticidade e inovação. O legado que recebi — do amor pela medicina, da coragem para inovar e da presença para cuidar — segue em mim. E eu sigo em frente, com gratidão e coragem. Não para ser melhor que ninguém, mas sempre evoluir e me tornar, o “meu melhor”. Estar presente, a cada dia, em cada ação, servindo e contribuindo com todos em minha volta.



