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Preceptores compartilham estratégias para equilibrar autonomia do residente e segurança do paciente

Supervisionar residentes e fellows no centro cirúrgico exige equilibrar a segurança do paciente com a autonomia de quem está aprendendo. Em reportagem publicada em setembro pela Review of Ophthalmology, preceptores de instituições norte-americanas e canadenses reuniram estratégias de treinamento cirúrgico em oftalmologia que vão do preparo pré-operatório ao feedback após o caso.

Fundamentos na residência, técnicas avançadas no fellowship

Zeba Syed, diretora do fellowship de córnea do Wills Eye Hospital, defende que a residência construa fundamentos e julgamento clínico, deixando procedimentos como DMEK, DSAEK e fixação de Yamane para o fellowship. Efrem Mandelcorn, da University of Toronto, inclui nessa base o exame da periferia retiniana com depressão escleral, as injeções intravítreas, o laser e as suturas.

Preparo antes do centro cirúrgico

Christina Moon, codiretora do wet lab do Scheie Eye Institute, exige que cada residente cumpra o currículo do simulador EyeSi e passe por um wet lab individual de três horas antes do rodízio cirúrgico. A seleção de casos também pesa: ela evita câmaras anteriores rasas nas primeiras incisões e só libera etapas bimanuais quando o residente domina manobras com uma mão, como a paracentese. Na Cleveland Clinic, Samantha Goldburg e Mary Qiu usam planilhas pré-operatórias com histórico, exames de imagem, cirurgias prévias e equipamentos, e agendam casos semelhantes em sequência.

Linguagem e postura durante a cirurgia

Com o paciente acordado, a forma de orientar faz diferença. Levi Kanu Jr., do Massachusetts Eye and Ear, prefere descrever o que faria em vez de dar ordens, o que mantém o paciente tranquilo e o residente concentrado. Ele sempre informa o paciente sobre a participação do residente e respeita quem pede para ser operado apenas pelo cirurgião responsável. Mandelcorn recomenda movimentos muito lentos e deliberados, que dão ao preceptor tempo para intervir.

Quando assumir o caso

Os especialistas concordam que o preceptor não deve intervir a cada imperfeição, mas sim antes que um problema pequeno se transforme em complicação. Syed costuma assumir por alguns instantes, explicar o raciocínio e devolver o caso. Kanu combina com o residente uma palavra de segurança para trocar de lugar sem alarmar o paciente. Goldburg lembra que, quando a situação é segura, deixar o residente resolver a dificuldade costuma render o maior aprendizado.

Feedback estruturado

Gravar os casos, inclusive os de rotina, é prática comum para a revisão conjunta. Kanu abre o debriefing perguntando como o residente avalia o próprio desempenho, e Qiu compara essa autoavaliação com a percepção do preceptor. A recomendação é começar pelo que deu certo, transformar falhas em discussão de alternativas e definir um plano de wet lab focado em uma ou duas habilidades.

Para Sadeer Hannush, do Wills Eye Hospital, residência e fellowship são apenas a base de uma carreira de 35 a 40 anos, que deve seguir com cursos em congressos, vídeos, wet labs e mini-fellowships ao lado de cirurgiões experientes.

Fonte: adaptado de reportagem de Christine Yue, publicada na Review of Ophthalmology em 10 de setembro de 2026. Os especialistas entrevistados declararam não ter conflitos financeiros relacionados ao tema.

 

 

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