Nona edição do encontro, realizada de 13 a 15 de agosto em Belo Horizonte, promoveu discussões avançadas de retina clínica e cirúrgica com especialistas brasileiros e convidados internacionais
O 9º BH Retina Summit foi realizado de 13 a 15 de agosto de 2026, no The One Business, em Belo Horizonte, e reuniu mais de 800 inscritos em três dias de programação dedicada à retina clínica e cirúrgica. Consolidado como um dos principais fóruns de discussão avançada da especialidade no país, o encontro manteve o formato que o caracteriza, com exposições objetivas, debate crítico e forte interação entre a mesa e a plateia.
Segundo Márcio Nehemy, presidente da Comissão Científica do evento, o Summit foi concebido para estabelecer um fórum de discussões avançadas das doenças da retina e do vítreo. “Para tanto, nós reunimos os maiores especialistas do Brasil e alguns dos mais destacados especialistas da América Latina”, afirmou. A programação contemplou todos os grandes temas da retina, com atenção especial às principais causas de cegueira, entre elas a degeneração macular relacionada à idade, a retinopatia diabética e as obstruções vasculares, além das doenças hereditárias da retina.
Inteligência artificial como eixo central da edição
O grande destaque de 2026 foi o impacto da inteligência artificial sobre a prática do retinólogo. Nehemy foi enfático ao diferenciar esse movimento de outros avanços incorporados pela especialidade ao longo das últimas décadas. “A medicina geralmente evolui de forma gradual. A inteligência artificial, não. O que ela está proporcionando é uma revolução”, disse. Para o especialista, a tecnologia deve modificar a forma como a medicina é exercida, em especial na retina.
A justificativa é anatômica e funcional. A retina é um tecido privilegiado do ponto de vista diagnóstico, porque permite uma leitura ampliada da saúde sistêmica do paciente. “Isso não é novo. Há alguns anos já se tentava fazer uma avaliação clínica do paciente a partir da retina, sendo os exemplos mais marcantes o diagnóstico de hipertensão arterial e de diabetes”, explicou Nehemy. A diferença, agora, está na escala de processamento. Com capacidade de análise praticamente ilimitada, os algoritmos conseguem identificar padrões e dados que até então não eram perceptíveis ao olho humano.
Os debates sobre o tema foram construídos com foco no impacto prático que essas ferramentas devem ter na especialidade nos próximos anos, e não apenas na apresentação de novidades tecnológicas.
Diagnóstico por imagem, cirurgia e análise crítica
Em paralelo à discussão sobre inteligência artificial, a grade científica reservou espaço para as principais doenças da retina e para os métodos de diagnóstico, com apresentação de novas metodologias, novas técnicas de imagem e novos exames em nível avançado. Blocos como Retinal Imaging, Diabetic Retinopathy, Age-Related Macular Degeneration, Retinal Vasculopathies in 2026 e Pediatric Retina and Genetic Diseases compuseram a espinha dorsal da programação clínica.
Na frente cirúrgica, o Summit manteve a proposta de discussão em nível avançado, sem conteúdo introdutório. Sessões como Vitreoretinal Surgery in 2026, Preventing and Treating Surgical Complications, Nightmares in the Operating Room, The Art of Surgery e Macular Surgery: the useful, the futile and the dangerous colocaram em pauta os limites e os riscos das técnicas em uso. “Todos os médicos presentes têm larga experiência em retina e vítreo, mas o que interessa é uma análise crítica, eticamente crítica, para avaliar os prós e os contras de cada um desses novos tratamentos e das novas técnicas cirúrgicas”, pontuou Nehemy.
Também integraram a programação sessões de casos clínicos desafiadores, oncologia ocular, doenças inflamatórias e infecciosas da retina, implante secundário de lente intraocular, os tradicionais blocos Rising Stars e Retinaws e nove módulos de Clinical Research and Future Treatments distribuídos ao longo dos três dias.
Convidados internacionais e ambiente de troca
A edição contou com a participação de convidados internacionais de referência em retina, entre eles Daniela Ferrara (Boston, Estados Unidos), Flavio Rezende (Quebec, Canadá), Giovanni Staurenghi (Milão, Itália), Kourous Rezaei (Chicago, Estados Unidos) e Virgínia Mares (Viena, Áustria), que dividiram a programação com integrantes da comissão científica e especialistas brasileiros de diferentes centros.
Para Nehemy, é justamente o formato de confronto de evidências que explica a trajetória do evento. “A controvérsia, a discussão do que é bom e do que não é bom, nos aproxima mais da verdade”, resumiu. O resultado, segundo ele, é um ambiente de grande interação e aprendizado mútuo, no qual profissionais altamente qualificados compartilham experiências, dificuldades e dilemas da prática diária, somado à possibilidade de convivência social em um clima que o presidente da comissão científica descreve como sempre vibrante e fraterno.
Com mais de 800 inscritos na nona edição, o BH Retina Summit reafirma sua posição no calendário da oftalmologia brasileira como espaço de atualização de alto nível e de pensamento crítico em retina.


