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INFORME PUBLICITÁRIO | ADAPT

Lançado no BRASCRS 2026, em São Paulo, o livro dos oftalmologistas Hamilton Moreira e André Romano propõe um método de seis passos para organizar a escolha da lente intraocular, e acabou virando também uma peça teatral.

Se existisse uma lente intraocular universal, capaz de entregar desempenho óptico ideal independentemente da anatomia do olho, do perfil aberrométrico e das expectativas de cada paciente, a cirurgia de catarata seria um ato técnico padronizado e a seleção do implante, uma decisão trivial. É desse raciocínio invertido que parte “A escolha é sua: método seis estrelas para a escolha da lente intraocular”, livro dos oftalmologistas Hamilton Moreira e André Romano, lançado durante o BRASCRS 2026, em São Paulo.

A obra deixa claro, desde a nota de abertura, que não é um manual de biometria e fórmulas. O argumento central é que o olho humano é um sistema óptico de complexidade individual irredutível. Cada paciente chega com uma combinação única de curvatura corneana, comprimento axial, profundidade de câmara, diâmetro pupilar, perfil aberrométrico e geometria do segmento anterior. A essa variabilidade anatômica se somam dimensões que nenhuma biometria mensura, como as expectativas visuais, a tolerância a compromissos ópticos e a capacidade de adaptação neuronal.

O paciente mudou e a decisão ficou mais difícil

O livro descreve um perfil de paciente que qualquer cirurgião de catarata reconhece de imediato: alguém bem informado, com expectativas já calibradas pela experiência de conhecidos que operaram antes dele e pela promessa, amplificada pelos meios de comunicação, de independência completa dos óculos.

Esse paciente não sabe nada sobre óptica difrativa ou somação binocular, e os autores fazem questão de lembrar que ele não precisa saber. O que ele compreende com clareza absoluta é o que deseja: dirigir sem óculos, trabalhar no computador sem esforço, ler o celular com naturalidade, reconhecer rostos a distância. Deseja, em síntese, recuperar a liberdade visual que a opacificação cristaliniana lhe subtraiu e, com ela, a autonomia que define a qualidade de vida adulta.

Atender a essa demanda, argumentam Moreira e Romano, exige uma capacidade analítica que transcende a execução do procedimento. A escolha do implante depende da leitura integrada de seis variáveis, que integram a motivação do paciente, o status refracional, a córnea, a pupila, e sensibilidade de contrate, a biometria em si e a ausência de co-morbidades significantes.

Análise biométrica, não exame de biometria

Uma das teses mais úteis do livro é terminológica. Os autores registram que um número crescente de especialistas passou a preferir a expressão análise biométrica ao tradicional exame de biometria, reconhecendo que o processo relevante não é medir os parâmetros, e sim interpretar em conjunto o que esses números significam para a decisão cirúrgica. Medir é necessário, escrevem, mas interpretar é o que determina o resultado.

É desse deslocamento que nasce o método seis estrelas, um roteiro para organizar o raciocínio clínico diante das variáveis que a seleção da lente impõe. A proposta é pedagógica, endereçada principalmente ao jovem oftalmologista que ainda não acumulou repertório de casos, mas também ao cirurgião experiente que deseja sistematizar uma prática construída de forma intuitiva.

Inteligência artificial e a armadilha que os autores apontam

A entrada de André Romano na coautoria trouxe ao livro a plataforma Neovista IOL, um sistema clínico que reúne motores de inteligência artificial dedicados a etapas específicas da decisão na cirurgia de catarata. Hamilton Moreira conta que dividir a autoria foi decisão tomada em menos de cinco minutos, durante uma festa de aniversário, ao tomar conhecimento da profundidade clínica do projeto.

O que chama a atenção, no entanto, é o alerta que acompanha o entusiasmo. Os autores dedicam um trecho da obra ao que chamam de armadilha, e a formulação é direta: perguntas como “-Quanto custa.”ou “_ Meu convênio paga esta lente.” São pertinentes e humanas, mas devem ser respondidas somente após o cirurgião ter criado valor para o seu serviço.

Do livro ao palco

O desdobramento mais inesperado veio depois que o texto estava pronto. Ao reler o material, os autores perceberam que o livro havia se tornado, no fundo, uma reflexão sobre comunicação, escolhas, envelhecimento e liberdade.

“Posteriormente percebemos que havíamos escrito um texto sobre relações humanas e adaptamos o texto para uma peça de teatro”, afirma Hamilton Moreira. A apresentação da peça está gravada e disponível no YouTube.

Batizada com o mesmo nome do livro, a peça musical e teatral “A escolha é sua” foi apresentada em 24 de julho, na Capela Santa Maria, em Curitiba, em realização do Instituto Médicos de Olhos.

Da decisão ao portfólio

O debate proposto pelos autores desemboca, na prática clínica, no repertório de lentes disponível ao cirurgião. Quanto mais sofisticada a análise, mais relevante se torna a amplitude de opções ópticas ao alcance da decisão, e mais determinante conhecer o comportamento de cada plataforma em olhos distintos. No Brasil, esse repertório inclui as lentes intraoculares da HOYA, comercializadas pela Adapt, que patrocina a divulgação da obra e vem concentrando esforços em educação médica continuada na área de cristalino.

A mensagem final resume-se na simplificação do processo da escolha da lente para cada paciente. A inteligência artificial sugere caminhos e amplifica a capacidade de processar informação complexa. Mas é o médico quem olha nos olhos do paciente, quem decide se quer seguir um método ou não.  Porque diante de cada paciente, como diz o título, a escolha é sua.

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