Tempo de leitura: 2 minutos

Pesquisa realizada em hospitais de São Paulo revela que, mesmo com tratamento padrão, metade dos pacientes desenvolve descolamento de retina

A necrose retiniana aguda (NRA) — uma complicação rara e grave associada à infecção por herpesvírus — apresentou altos índices de perda visual e descolamento de retina em pacientes atendidos em dois hospitais de referência em São Paulo. O estudo retrospectivo, realizado entre 2017 e 2024, analisou 18 casos e foi publicado recentemente na revista científica internacional Ocular Immunology and Inflammation. Os resultados chamam atenção para a importância do diagnóstico precoce e do encaminhamento rápido a centros especializados.

De acordo com os dados, 83,3% dos pacientes eram imunocompetentes, e 94,4% apresentavam a doença inicialmente em apenas um olho. O descolamento de retina (principal fator associado à perda visual irreversível) foi identificado em 50% dos casos. Entre os pacientes avaliados, 61,1% apresentaram piora da acuidade visual, 27,8% mostraram alguma melhora e apenas 11,1% mantiveram a visão inicial. A média de acuidade visual no momento do diagnóstico foi a média 20/200, indicando limitação severa da visão já no início do quadro.

Apesar do uso do aciclovir intravenoso (terapia padrão recomendada), os desfechos foram desfavoráveis, sugerindo que atrasos no diagnóstico e no início do tratamento possam estar diretamente relacionados ao mau prognóstico. O estudo corrobora a necessidade de protocolos de triagem mais ágeis e de maior conscientização entre oftalmologistas e clínicos sobre os sinais precoces da doença.

“Os altos números de desfechos negativos reforçam o impacto do diagnóstico tardio e servem como ponto de alerta para a necessidade de incentivar métodos de diagnóstico precoce. Embora o estudo não tenha permitido identificar o vírus predominante, sabe-se que a necrose aguda de retina pode estar associada ao herpes zoster, uma doença potencialmente prevenível por vacina. Avanços em biologia molecular prometem impulsionar pesquisas futuras e aproximar a oftalmologia de uma medicina de precisão”, afirma a Dra. Luciana Finamor, oftalmologista da Clínica de Olhos Dr. Moacir Cunha do Grupo Fleury e coautora do estudo.

A pesquisa destaca também a necessidade de novos estudos para aprimorar estratégias terapêuticas e reduzir o risco de descolamento de retina. Para o ecossistema de saúde, o trabalho traz evidências relevantes sobre uma condição pouco estudada no Brasil e demonstra a importância da integração entre atendimento clínico e diagnóstico especializado em oftalmologia.

Acesse o artigo em completo: https://doi.org/10.1080/09273948.2025.2573735

Compartilhe esse post