Tempo de leitura: 3 minutos

A sessão de Inovação do CNNO 2026, realizada na tarde de hoje, consolidou um dos debates mais relevantes do congresso ao evidenciar como tecnologia, novos modelos de negócio e transformação digital estão redefinindo a prática oftalmológica.

Abrindo a sessão, José Roberto Santiciolli apresentou uma imersão no processo de inovação a partir de sua experiência com a Phelcom, detalhando a jornada completa — da concepção da ideia até a chegada ao mercado. Em sua fala, evidenciou os desafios reais enfrentados ao longo do caminho, incluindo validação de soluções, limitações técnicas, decisões estratégicas e, principalmente, a necessidade de entender o que de fato gera valor para o usuário final. Um dos pontos centrais foi o momento de virada estratégica: a decisão entre construir uma solução local ou global. Foi a partir dessa reflexão que o mindset da empresa evoluiu, permitindo ganhos de escala e posicionamento mais competitivo. A linha do tempo apresentada ilustrou de forma clara as etapas de desenvolvimento, certificação e expansão, reforçando que inovação exige consistência, visão e capacidade de adaptação.

Na sequência, Lucas Estefano Cyrillo trouxe dados concretos sobre triagem visual por tele-oftalmologia, com destaque para a atuação em larga escala no sistema público de saúde. Os números apresentados evidenciaram o impacto direto da tecnologia no acesso à saúde ocular: mais de 23,1 mil pacientes atendidos, com média de idade de 14,8 anos, sendo 76,2% dos casos classificados como normais, 20,4% com erros refrativos corrigidos ainda no ambiente escolar e apenas 3,3% encaminhados para centros de referência. Os dados reforçam a eficiência do modelo, especialmente em regiões remotas e com baixa cobertura assistencial, onde a telemedicina tem ampliado o alcance do cuidado e possibilitado rastreamento populacional mais efetivo.

O tema do empreendedorismo ganhou profundidade com Karlos Sancho, que compartilhou sua trajetória como médico e empreendedor, destacando a mudança de mentalidade necessária para enxergar oportunidades além do consultório. Em sua apresentação, trouxe reflexões sobre diversificação de atuação, desenvolvimento de produtos, atuação em inovação e construção de novas frentes de negócio dentro da oftalmologia. Sua fala reforçou que o oftalmologista contemporâneo pode — e deve — assumir um papel mais ativo na criação de soluções e no desenho de novos modelos de atuação.

A sessão avançou com Alexandre Rosa, que utilizou a metáfora da “Caixa de Pandora” para provocar a audiência sobre os riscos e, principalmente, as oportunidades inerentes à inovação. Ao mesmo tempo em que a transformação tecnológica pode gerar incertezas, ela também abre caminhos inéditos — e, como destacou, “a esperança permanece”. Em sua análise, trouxe uma provocação direta: profissionais que não se atualizam correm o risco de se tornarem obsoletos. Apresentou ainda o conceito dos 6 Ds do crescimento exponencial — digitalização, decepção, disrupção, desmaterialização, desmonetização e democratização — como um framework para entender a velocidade e o impacto das mudanças no setor. No contexto da oftalmologia, destacou o potencial de inovação em equipamentos, modelos de atendimento, telemedicina e escalabilidade do cuidado.

Complementando a discussão, João Crispim trouxe uma perspectiva estruturante ao abordar o papel das instituições acadêmicas na inovação. Destacou como a pós-graduação e centros de pesquisa oferecem base técnica, segurança e sustentação para o desenvolvimento de soluções, incluindo suporte em processos burocráticos, requisitos regulatórios e fundamentos legais. Ressaltou ainda a importância de pilares como qualidade CAPES, registros no INPI quando aplicáveis e o ambiente acadêmico como facilitador para inovação responsável, com robustez científica e respaldo institucional.

Na sequência, Thiago Carvalho Barros ampliou o olhar para a jornada do paciente, enfatizando o papel das plataformas digitais na democratização do acesso à saúde ocular. Sua abordagem destacou a importância de quebrar barreiras — geográficas, informacionais e estruturais — por meio de soluções que promovam acesso, continuidade do cuidado e maior conexão entre médicos e pacientes. Ao reforçar o conceito de jornadas integradas, evidenciou como a tecnologia pode fortalecer o vínculo, ampliar o engajamento e gerar melhores desfechos assistenciais.

Encerrando a sessão, Francisco Hirochima, em sua aula sobre a evolução da visão e as fronteiras da tecnologia na oftalmologia, trouxe uma visão global da inovação conectando passado, presente e futuro da especialidade. Ao percorrer desde os conceitos mais primitivos da visão até as tecnologias mais avançadas, destacou o desenvolvimento do olho biônico como um dos marcos mais emblemáticos dessa transformação. A discussão evidenciou como dispositivos de alta tecnologia, integração de sistemas e avanços em engenharia biomédica vêm ampliando possibilidades antes inimagináveis, inclusive na reabilitação visual.

Com discussões conduzidas por especialistas como José Roberto Santiciolli, Lucas Estefano Cyrillo, Thiago Carvalho Barros, João Crispim e Karlos Sancho, a sessão reforçou uma mensagem central: a inovação deixou de ser diferencial e passou a ser um elemento essencial para a sustentabilidade e evolução da prática oftalmológica contemporânea.

 

Compartilhe esse post