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Oftalmologistas e indústria farmacêutica discutem o impacto do DEWS III e do LUBOS na prática clínica e a tendência dos colírios sem conservantes

Flávia Lo Bello

Promovido pela Tear Film & Ocular Surface Society (TFOS), o Dry Eye Workshop (DEWS) reúne especialistas internacionais para definir, classificar, diagnosticar e tratar o olho seco com base em evidências. O consenso mais recente, o TFOS-DEWS III (2025), trocou a escala linear de gravidade por uma abordagem baseada em mecanismos, com papel central da instabilidade lacrimal, da hiperosmolaridade, da inflamação e do dano tecidual.

Flávio Fernandes Villela, doutor em ciências pela FMUSP e coordenador do Setor de Lentes de Contato do Hospital das Clínicas da FMUSP

Segundo Flávio Fernandes Villela, doutor em ciências pela FMUSP e coordenador do Setor de Lentes de Contato do Hospital das Clínicas da FMUSP, a classificação passou a se basear na etiologia, dividida em fatores predisponentes:

  • deficiência no filme lacrimal (camadas lipídica, aquosa e de mucina/glicocálix);
  • anormalidades palpebrais (alterações da borda palpebral, do piscar e do fechamento);
  • anormalidades da superfície ocular (inflamação, lesão, disfunção neurossensorial);
  • causas sistêmicas.

“Houve, portanto, uma atualização na classificação da doença que tinha sido estabelecida anteriormente no DEWS II (olho seco por deficiência aquosa, evaporativo ou misto)”, esclarece o médico.

Uchoandro Bezerra Costa Uchoa, fellow em córnea pelo Wills Eye Hospital (Filadélfia, EUA) e responsável técnico do Banco de Olhos do Hospital Universitário Onofre Lopes (Natal, RN)

Para Uchoandro Bezerra Costa Uchoa, fellow em córnea pelo Wills Eye Hospital (Filadélfia, EUA) e responsável técnico do Banco de Olhos do Hospital Universitário Onofre Lopes (Natal, RN), os consensos TFOS-DEWS e LUBOS (Consenso Latino-Americano de Lubrificantes Oculares e Olho Seco) cumprem papéis complementares. “O TFOS-DEWS II (2017) estabeleceu a definição moderna de olho seco como doença multifatorial com perda de homeostase do filme lacrimal, classificou-a em deficiente aquoso e evaporativo e introduziu um algoritmo de manejo escalonado. E em 2025, o TFOS-DEWS III atualizou essa base com evidências recentes”, informa. O DEWS III, acrescenta, reforçou o peso do estilo de vida e do ambiente e reorganizou a terapêutica em torno de objetivos: estabilizar o filme lacrimal, controlar a inflamação e proteger a superfície ocular.

Já o LUBOS traduz as diretrizes internacionais para a prática latino-americana, com foco nos lubrificantes disponíveis na região, na classificação de gravidade e em algoritmos práticos. “O LUBOS é um guia operacional que ajuda o oftalmologista a escolher o produto certo para o estágio certo da doença”, resume Uchoa. Juntos, padronizam condutas e dão justificativa sólida às escolhas diante da profusão de produtos. “Eles não eliminam o julgamento clínico individual, no entanto dão a estrutura necessária para exercê-lo com segurança”, completa.

Fatores de risco e sintomas

Villela aponta o envelhecimento e o sexo feminino como principais fatores de risco, aos quais se somam:

  • fatores ambientais, comportamentais e de estilo de vida (poluição, uso prolongado de telas, maquiagem, alimentação);
  • doenças, cirurgias e medicações oculares (lentes de contato, disfunção das glândulas meibomianas, colírios e conservantes);
  • doenças e medicações sistêmicas (doenças autoimunes, hipertensão arterial, diabetes).

Os sintomas mais frequentes são sensação de secura e de corpo estranho, ardor ou queimação ocular e fotofobia. “Os sintomas costumam se intensificar no final do dia e nas condições de baixa umidade, em ventilação direta sobre os olhos e no uso intenso de telas digitais”, esclarece o cirurgião. Também há relatos de instabilidade visual e astenopia. “Isso tem impacto direto na qualidade de vida e nas atividades da vida diária e profissional do indivíduo. A presença dos sintomas associada aos achados clínicos na superfície ocular (tempo de ruptura lacrimal diminuído, hiperosmolaridade, lesões no epitélio da córnea, conjuntiva e borda palpebral) são fundamentais para o diagnóstico da doença”, aponta. O tratamento, pelo DEWS III, parte da etiologia identificada: começa pelos substitutos do filme lacrimal e avança para anti-inflamatórios e cirurgia conforme a gravidade ou refratariedade.

Tratamento individualizado

Gabriel Gorgone, responsável pelo Setor de Ceratocone, chefe do Setor de Lentes de Contato e assistente do Setor de Cirurgia Refrativa da Unicamp

Gabriel Gorgone, responsável pelo Setor de Ceratocone, chefe do Setor de Lentes de Contato e assistente do Setor de Cirurgia Refrativa da Unicamp, enfatiza que os lubrificantes são o ponto-chave do tratamento, conforme o estágio da doença, com anti-inflamatórios reservados aos casos mais complicados. “O lubrificante ideal irá depender do tipo de paciente que estamos tratando. Se estamos lidando, por exemplo, com um paciente em pós-operatório de cirurgia oftalmológica, um colírio com ácido hialurônico pode ajudar no processo cicatricial, de reepitelização da córnea. Se for um indivíduo com olho seco evaporativo, colírios com reposição lipídica ajudam bastante. Para olhos secos mais severos, os colírios lubrificantes com aumentadores de viscosidade são ótimas escolhas”, opina.

Para todos os subtipos, Villela destaca que lágrimas artificiais, géis e pomadas são a base do tratamento inicial, com o objetivo de repor e manter o filme lacrimal. “As formulações podem conter agentes mucomiméticos para a reposição da camada de mucina e também componentes lipídicos, que atuam na perda evaporativa, enquanto os géis e as pomadas de maior viscosidade são reservados, preferencialmente, para uso noturno, pela possibilidade de causar visão borrada”, explica. A partir daí, o manejo segue a etiologia:

  • Disfunção das glândulas meibomianas (olho seco evaporativo): compressas mornas, aparelhos de aquecimento palpebral, luz intensa pulsada e luz de baixa intensidade, higiene palpebral com produtos específicos, blefaroesfoliação, tratamento anti-Demodex e antibióticos tópicos e/ou sistêmicos. “A doxiciclina oral ou a azitromicina tópica ou oral são particularmente eficazes, devido à sua ação anti-inflamatória sobre a doença das glândulas de Meibômio”, afirma.
  • Deficiência aquosa: estimulantes da secreção lacrimal e, nos casos mais graves, oclusão dos pontos lacrimais com plugs de silicone ou colágeno, ou fechamento cirúrgico, para preservar o volume lacrimal.
  • Inflamação local: “Para o controle da inflamação local, corticosteroides tópicos, ciclosporina e lifitegrast são as opções indicadas. Os corticosteroides devem ser limitados a ciclos curtos devido ao risco de glaucoma secundário e catarata”, orienta.
  • Doença grave ou refratária (síndrome de Sjögren, doença do enxerto contra o hospedeiro): substitutos biológicos do filme lacrimal, como soro autólogo ou plasma rico em plaquetas, lentes de contato esclerais para manter um reservatório de fluido, enxertos de membrana amniótica e outras cirurgias na superfície ocular.
  • Anormalidades anatômicas ou de fechamento palpebral (paralisia persistente de Bell, mau posicionamento palpebral): tratamento clínico ou cirúrgico da condição subjacente.

“O tratamento visando modificações do estilo de vida, como otimização do piscar, suplementação dietética e controle da umidade ambiental, são medidas que devem ser acompanhadas em relação à educação do paciente e objetivam favorecer a sua adesão ao tratamento”, informa Villela.

Uchoa reforça que não existe um lubrificante melhor para todos os pacientes. “Para aqueles que têm uma produção lacrimal normal, em que o olho seco é leve, de caráter evaporativo/ambiental e só há necessidade de usar o lubrificante uma ou duas vezes ao dia, provavelmente o tipo de lubrificante não fará tanta diferença. Contudo, nos pacientes que tem um olho seco mais severo, com necessidade de uso do lubrificante com muita frequência, nesse caso é mandatório a utilização de colírios sem conservantes”, aconselha. Na disfunção obstrutiva das glândulas de Meibômio, faz mais sentido um produto com substituto da camada lipídica na composição.

“Hoje temos no mercado muitos produtos bons, com moléculas isoladas ou combinadas, que conseguem melhorar a qualidade de todas as camadas do filme lacrimal”, assegura. Estudos mostram que a doença prejudica leitura, telas, direção noturna e produtividade, e que lubrificantes adequados reduzem os escores OSDI e melhoram função visual e satisfação. “Em muitos casos, o ganho funcional supera o ganho clínico mensurável no consultório — o que reforça a importância de valorizar o relato do paciente e não apenas os sinais no exame”, acrescenta.

Prevalência, telas e cirurgia

“Não existe um consenso, esse dado pode ser de 5% a 50% a depender da população estudada, da faixa etária e da região, portanto é um índice que varia bastante, segundo a literatura”, detalha. O envelhecimento agrava o quadro, sobretudo em mulheres, por questões hormonais. “Podemos ter mais olho seco conforme a idade avança e também pelo uso excessivo de telas. Esse comportamento moderno de estar cada vez mais conectado contribui para o aumento da doença. Isso ocorre porque piscamos menos quando estamos em telas e porque a amplitude do piscar também é menor e costuma ser incompleta, as pessoas não têm uma reciclagem da lágrima, tornando essa superfície ocular mais ressecada”, informa.

No perioperatório, Gorgone já contraindicou cirurgias por olho seco, que interfere na refração e em tomografia e topografia. “Muitas vezes, quando tratamos o olho seco do paciente antes da cirurgia, ou mesmo antes desses exames, há uma regularização das imagens”, observa. “Dessa forma, se negligenciarmos o olho seco no pré-operatório, poderemos ter complicações mais sintomáticas no pós-operatório desse paciente. E no pós-operatório, em que há uma secura ocular inerente ao processo cirúrgico, se também deixamos de tratar o olho seco do paciente, pode haver uma demora na cicatrização e um desconforto ocular mais sintomático”, alerta.

Daí a relevância do ácido hialurônico no pós-operatório. “Eles contribuem para uma hidratação mais significativa e, consequentemente, ajudam no processo cicatricial”, complementa. Associações com HP-Guar ou carmelose elevam a viscosidade. “Ou seja, essas substâncias aumentam a viscosidade dos colírios e, em alguns casos de pós-operatório, isso também pode ser necessário para que o paciente tenha mais conforto”, instrui. No olho seco evaporativo do dia a dia, lembra, os colírios com micromoléculas de lipídios ajudam a restaurar as três camadas do filme lacrimal. Negligenciar o tratamento pode levar a cicatrizes definitivas e visão aquém do esperado. “Nessas situações, teremos um olho seco comprometido de todas as maneiras, no diagnóstico, no pré-operatório e no pós-operatório”, acrescenta.

Uchoa aponta lacunas, como a instilação frequente nos casos graves, que piora a qualidade de vida e eleva o custo. “A lágrima natural é rica em componentes essenciais para a nutrição e homeostase da superfície ocular, como o fator de crescimento epitelial e fator de crescimento transformador beta (TGF-β), esses componentes tróficos não estão presentes nos lubrificantes artificiais. Esperamos que os próximos lubrificantes possam agir mais na fisiopatologia da doença e não apenas nos sintomas”, destaca.

Com a palavra, a indústria

Mari Rojas, diretora de Marketing Vision Care e de Educação Médica Profissional da Alcon América Latina e Canadá

Para Mari Rojas, diretora de Marketing Vision Care e de Educação Médica Profissional da Alcon América Latina e Canadá, equilibrar inovação, qualidade e custo exige soluções que agreguem valor real ao paciente. “No caso do olho seco, a inovação não consiste apenas na incorporação de novas tecnologias, mas também em melhorar a eficácia, o conforto e a experiência de uso, favorecendo a adesão ao tratamento e contribuindo para uma melhor qualidade de vida”, comenta. A Alcon, diz, investe em formulações respaldadas pela ciência, como soluções sem conservantes e de ação prolongada.

A escolha do colírio deve partir do diagnóstico do oftalmologista. “O olho seco é uma doença multifatorial e diferentes pacientes podem apresentar causas distintas para sintomas semelhantes. Por isso, compreender as características de cada caso é fundamental para indicar a solução mais adequada”, destaca. Pesam ainda frequência de uso, sensibilidade ocular, conservantes e ação nas camadas do filme lacrimal.

Na visão da executiva, o DEWS III e o LUBOS refletem a evolução do mercado. “Como resultado, passamos de soluções focadas principalmente na reposição lacrimal para tecnologias mais avançadas, capazes de atuar sobre diferentes mecanismos da doença, proporcionando um alívio mais prolongado”, observa. Ela vê ainda potencial na união entre inteligência artificial e medicina personalizada. “O julgamento clínico do oftalmologista continuará sendo fundamental e, aliado à combinação de dados, tecnologia e evidências científicas, contribuirá para diagnósticos mais precisos e tratamentos cada vez mais personalizados”, aposta Mari. “No final, o objetivo permanece o mesmo: ajudar os pacientes a viver com mais conforto e bem-estar”, reitera.

15 anos de Hyabak no Brasil: inovação no cuidado com a superfície ocular

Miriam de Souza Pereira, gerente de Produtos Sênior da área de Marketing da Genom Oftalmologia

Miriam de Souza Pereira, gerente de Produtos Sênior da área de Marketing da Genom Oftalmologia, afirma que o Hyabak, primeira lágrima artificial sem conservantes em frasco multidose lançada no país, chegou ao Brasil como pioneiro. “Essa inovação foi possível graças à tecnologia exclusiva do sistema ABAK®️, que permite manter a formulação sem conservantes em uma apresentação multidose”, comenta. Segundo ela, essa solução trouxe uma nova perspectiva para o tratamento do olho seco e, ao longo desses 15 anos, consolidou-se como referência e padrão-ouro no segmento.

“Quando olhamos para os 15 anos de Hyabak no Brasil, vemos muito mais do que a história de uma marca de sucesso. Vemos a história de uma novidade que ajudou a transformar a maneira como pensamos o cuidado com a superfície ocular”, continua a gerente, enfatizando que o Hyabak se tornou a marca mais prescrita pelos oftalmologistas. “Esta é uma conquista que demonstra a força da relação construída com a classe médica e, principalmente, a relevância que a marca alcançou para a qualidade de vida dos pacientes”, destaca. Para ela, é fundamental a parceria entre a Genom (unidade de prescrição da UQ) e o Laboratório Théa. “De um lado, temos a expertise e a liderança da Genom em oftalmologia no Brasil e, de outro, a experiência e o protagonismo da Théa no mercado europeu. É uma parceria que tem como essência levar inovação para a oftalmologia brasileira”, completa.

De acordo com a executiva, o melhor exemplo de que essa parceria continua olhando para o futuro foi a chegada, há três anos, de mais um lançamento pioneiro no mercado brasileiro: o Thealoz Duo, uma combinação exclusiva que une hidratação prolongada, proporcionada pelo hialuronato de sódio, à proteção celular, fornecida pela trealose. “Isso ampliou nosso portfólio, oferecendo aos oftalmologistas uma alternativa para diferentes perfis de pacientes com olho seco. Por isso, quando falamos em 15 anos de Hyabak, não estamos falando apenas de longevidade, mas de um propósito de continuar trazendo algo novo”, enfatiza a gerente da Genom Oftalmologia. “O desafio agora é continuar seguindo nosso compromisso com a especialidade, que é antecipar necessidades, trazer produtos inéditos e contribuir para uma oftalmologia cada vez mais preparada para cuidar dos pacientes. O verdadeiro legado de Hyabak não está apenas nos 15 anos de mercado, mas em ter transformado pioneirismo em referência e inovação em confiança”, conclui Miriam.

Mercado em expansão

Paulo Araujo, diretor das Unidades de Negócio de Oftalmologia e Sem Dor do Laboratório Cristália

Segundo Paulo Araujo, diretor das Unidades de Negócio de Oftalmologia e Sem Dor do Laboratório Cristália, o mercado de lágrimas e lubrificantes cresceu cerca de 35% nos últimos cinco anos, alcançando 40 milhões de unidades no último ano. “Mas é interessante destacar que o volume de colírios com conservantes cinco anos atrás era praticamente o dobro dos colírios sem conservantes e, hoje, a participação de ambos já é próxima a 50/50. Ou seja, os colírios sem conservante tornaram-se a tendência no mercado”, analisa. As novas tecnologias preservam a córnea no uso contínuo e lubrificam por mais tempo. “Isso porque eles agem em todas as camadas da lágrima, permitindo não apenas a reposição da parte aquosa, mas a manutenção da lágrima na superfície da córnea, por possuírem ingredientes capazes de reter mais água. Um exemplo é o ácido hialurônico de alto peso molecular”, cita o diretor.

“Naturalmente no país em que vivemos, o custo é um fator muito importante. Mas para quem é portador de olho seco, especialmente mais grave, os médicos não devem se furtar a oferecer as melhores opções, pois somente quem convive com a doença sabe como é difícil lidar com ela”, enfatiza. Dois desafios travam novos produtos:

  • Regulatório: “Sem dúvida, essa é a maior barreira no Brasil. Muitas formulações enquadradas como produtos para saúde em outros países não podem ser lançadas no Brasil sem estudos clínicos. E isso incrementa ou inviabiliza o custo e os desafios para lançar um novo produto por aqui”, lamenta.
  • Fabril: “Uma fábrica de colírios tem um nível de inspeção do órgão regulador no Brasil muito mais alto que uma fábrica de comprimidos ou suplementos. As exigências são as mesmas dos produtos injetáveis. E isso é um grande diferencial do Cristália, que hoje conta com grande expertise nessa área”, revela.

O Cristália segmenta os públicos de lubrificantes em três grupos:

  • olho seco por fatores ambientais (telas, ar-condicionado, tempo seco): colírios mais baratos, muitas vezes com conservantes;
  • olho seco leve a moderado: colírios sem conservantes, em geral em monoterapia;
  • olho seco evaporativo: combinações de polímeros.

Há ainda a nova apresentação de dexpantenol em frasco, para reepitelização da córnea. “É o primeiro e único gel do mercado em frasco multidose. O ideal é que o paciente faça uso do produto durante a noite, mas muitos pacientes com olho seco mais grave têm usado o produto durante o dia também, em virtude da alta viscosidade e maior permanência na superfície ocular”, finaliza Araujo.

 

 

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