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INFORME PUBLICITÁRIO | APELLIS PHARMACEUTICALS

 

Simpósio patrocinado pela Apellis Pharmaceuticals no 9º BH Retina Summit, apresenta a leitura de cinco anos do estudo GALE e mostrou como a inteligência artificial pode transformar o OCT em ferramenta de avaliação funcional

Dr. Marcio B. Nehemy, Presidente da Comissão Científica BH Retina Summit

O Simpósio “Apellis: Geographic Atrophy Management – clinical data updates”, reuniu em Belo Horizonte uma atualização sobre o manejo da atrofia geográfica (AG), forma tardia da degeneração macular relacionada à idade (DMRI) que, até recentemente, não dispunha de tratamento capaz de alterar seu curso. Moderada pelo Dr. Marcio B. Nehemy, Presidente da Comissão Científica BH Retina Summit, a sessão contou com as palestras do Dr. Laurentino Biccas Neto, Doutor em Medicina pela UFMG e Especialista em Mácula pela UNIFESP, que trouxe os dados clínicos mais recentes do pegcetacoplan, e da Dra. Virgínia Mares, mestre e doutora pela UFMG e pesquisadora clínica na Universidade de Medicina de Viena, que apresentou o OCT funcional, uma abordagem de inteligência artificial para estimar a sensibilidade retiniana a partir da imagem estrutural.

Na abertura, Nehemy fez questão de contextualizar o cenário regulatório. “É importante que nessa sessão nós discutiremos medicamentos que ainda não foram aprovados pela ANVISA, embora já tenham sido aprovados em outros países”, afirmou. Ele lembrou que a AG “afeta uma em cada cinco pessoas acima de 85 anos” e que a ausência de terapias efetivas “acabava levando a uma perda progressiva e irreversível da visão, com grande impacto na qualidade de vida dos pacientes”. Para o moderador, os inibidores do complemento “inauguram uma nova era no tratamento da atrofia geográfica, oferecendo pela primeira vez a possibilidade real de modificar a progressão da doença”.

Cinco anos de GALE: efeito cumulativo e preservação de tecido

Dr. Laurentino Biccas Neto, Doutor em Medicina pela UFMG e Especialista em Mácula pela UNIFESP

Biccas Neto abriu sua apresentação parabenizando a organização pela nona edição consecutiva do congresso, “um marco na nossa retinologia”, e reforçando o empenho em levar o tratamento ao mercado brasileiro. “Estamos muito empenhados junto à Apellis para que esse seja um tratamento disponível aqui no Brasil. Os esforços são constantes, ainda estamos juntando evidências para que a gente consiga finalmente ter esse tratamento disponível de forma mais fácil para os nossos pacientes”, disse. O retinologista destacou ainda a participação nacional nos estudos pivotais DERBY e OAKS, nos quais o Brasil foi um dos principais centros recrutadores, e na extensão GALE.

O eixo da palestra foi a leitura de cinco anos do GALE. Como o estudo de extensão não manteve um braço controle, a comparação foi feita com um sham projetado, estratégia que Biccas Neto justificou pela elevada concordância entre os dois olhos na AG: “Mais de 80% de concordância em cinco anos. É uma doença que afeta, infelizmente, os dois olhos.”

Em relação ao sham real e projetado, o pegcetacoplan reduziu o crescimento da área de atrofia em 24% no regime mensal e 23% no regime a cada dois meses ao longo de cinco anos, com significância estatística. Segundo o palestrante, “o benefício aumentou entre os meses 24 e 60”, resultado que ele apresentou como coautor na Macula Society. Nas lesões não subfoveais, o efeito foi ainda maior: 31% de redução com aplicação mensal e 27% com aplicação em meses alternados. “A separação progressiva das curvas reforça o efeito cumulativo do tratamento contínuo”, resumiu.

Biccas Neto traduziu os percentuais em uma medida mais tangível para o clínico: os olhos tratados preservaram, em média, 3,9 mm² de retina com aplicação mensal e 3,4 mm² com aplicação bimestral, “uma área superior a um disco óptico e meio”. “Então a gente está falando de preservação de tecido nervoso. Isso é fundamental. É uma doença degenerativa, irreversível e progressiva”, enfatizou, lembrando que a AG leva, em média, à cegueira funcional em cerca de dois anos e meio.

Um dos pontos mais valorizados foi o impacto do início precoce. Na doença não subfoveal inicial, o pegcetacoplan preservou aproximadamente o dobro de tecido retiniano e atrasou em cerca de um ano e meio a progressão em direção à fóvea. “O tratamento deve ser o mais precoce possível, porque os pacientes que depois receberam o tratamento no olho contralateral, esse segundo olho nunca alcançou os resultados do primeiro olho tratado”, afirmou.

Segurança: exsudação nem sempre é neovascular

Sobre o perfil de segurança, Biccas Neto afirmou que, aos 36 meses, os dados dos pacientes que concluíram o GALE permaneceram consistentes com os observados em OAKS e DERBY. A DMRI exsudativa foi mais frequente no regime mensal, mas ele chamou atenção para uma nuance clínica: “A complicação exsudativa pode não ser neovascular. Estudos de mundo real, trabalhos do Bascom Palmer, mostram isso: dois terços dos pacientes com exsudação não tinham neovascularização.” Segundo ele, parece haver “um efeito seletivo da terapia anticomplemento sobre os macrófagos”, e o simples espaçamento das injeções costuma controlar o quadro. “Essa também é a minha experiência”, acrescentou.

Com mais de um milhão de injeções realizadas, o palestrante citou risco de 0,04% para endoftalmite, 0,22% para inflamação intraocular e 0,02% para neuropatia óptica isquêmica anterior, além de queda importante na incidência de vasculite retiniana, com apenas dois casos registrados em 2025. “A vasculite foi um fenômeno de primeira injeção e tem se reduzido dia a dia. O perfil de segurança é extremamente robusto para a gente confiar no tratamento como uma boa alternativa”, avaliou.

Por fim, Biccas Neto trouxe um estudo de mundo real com dados norte-americanos que mostrou redução da progressão da atrofia também em pacientes tratados concomitantemente com anti-VEGF para DMRI neovascular. “Aqueles que tinham tratamento concomitante com anti-VEGF também responderam quando receberam os dois tratamentos, e responderam melhor”, afirmou, destacando que o controle neovascular foi mantido.

OCT funcional: inteligência artificial para medir função a partir da estrutura

Dra. Virgínia Mares, mestre e doutora pela UFMG e pesquisadora clínica na Universidade de Medicina de Viena

Na segunda palestra, Virgínia Mares, radicada em Viena, partiu de uma lacuna conhecida: a fragilidade dos testes funcionais na AG. “A maioria dos testes funcionais bem estabelecidos na literatura, incluindo a acuidade visual, tem uma correlação limitada em relação à progressão da atrofia geográfica”, disse, sobretudo quando a fóvea ainda está preservada. A microperimetria é a exceção promissora, tendo sido o único teste com correlação significativa com o crescimento da lesão nos estudos Chroma e Spectra, mas a pesquisadora listou suas limitações: acesso restrito à tecnologia, exames longos em pacientes com fixação prejudicada e a grade fixa de 68 pontos, com cerca de 2 graus entre pontos vizinhos. “Se a gente considerar que o crescimento das lesões atróficas acontece por volta de 100 a 300 micrômetros por ano, o tempo para detectar um crescimento lesional seria também longo”, observou.

A alternativa apresentada foi o OCT funcional, ferramenta desenvolvida em parceria com a Apellis a partir de métodos de sensibilidade inferida publicados pelo grupo de Bonn, na Alemanha. Trata-se de “um modelo capaz de predizer a sensibilidade retiniana a partir de imagens de OCT sem utilizar o teste funcional da microperimetria”, explicou Virgínia. O algoritmo foi treinado com os olhos contralaterais não tratados do OAKS, usando medidas de espessura e intensidade de seis bandas retinianas correlacionadas aos valores em decibéis da microperimetria, e depois testado nos dados do OAKS e do DERBY, este último sem microperimetria.

O erro absoluto médio ficou em torno de 4 decibéis, “bastante comparável com os erros descritos em outros modelos de sensibilidade”, segundo a palestrante. Na validação externa, em uma coorte de mundo real de 39 pacientes do Directional Spreading Geographic Atrophy Natural History Study, da Universidade de Bonn, o desempenho se manteve, com erro absoluto médio de 4,8 decibéis. Os mapas gerados foram capazes de identificar a progressão do escotoma absoluto ao longo do tempo e até a preservação foveal e de pequenas ilhas de retina.

Aplicado ao conjunto de dados de OAKS e DERBY, o OCT funcional reproduziu, no plano funcional, o que os desfechos estruturais já haviam mostrado: em relação ao sham, houve aproximadamente 47% de diminuição da perda de sensibilidade no grupo tratado mensalmente e 36% no grupo tratado a cada dois meses, com diferenças ainda mais evidentes nas lesões não subfoveais e maior preservação da sensibilidade também na comparação com o olho contralateral.

Virgínia encerrou com uma aplicação que considera particularmente interessante: o uso do modelo para estratificar progressores rápidos e lentos a partir dos valores de sensibilidade inferida no baseline. Os pacientes do quartil com função relativamente preservada na zona juncional da atrofia tiveram progressão “substancialmente mais lenta”. “É uma tecnologia nova, mas que tem instigado bastante a atenção, não só como ciência, mas também como uma possível viabilidade de aplicação na prática clínica, porque a gente ficaria com um device ao invés de ter que utilizar mais de um”, concluiu.

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