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Estudo conduzido pelo Children’s Hospital of Philadelphia aponta que tecnologia de eye-tracking pode contribuir para o diagnóstico precoce de alterações visuais persistentes após traumatismo craniano leve.

Publicado recentemente no Journal of Sport and Health Science, um estudo liderado por pesquisadores do Children’s Hospital of Philadelphia (CHOP) demonstrou que métricas obtidas por rastreio ocular infravermelho (eye-tracking) podem ajudar a identificar disfunções visuais associadas à concussão em adolescentes com sintomas persistentes. A tecnologia avaliada, não invasiva e objetiva, poderá ser incorporada como uma ferramenta auxiliar nas avaliações clínicas, com potencial para acelerar encaminhamentos e intervenções oftalmológicas especializadas.

Sintomas visuais pós-concussão: um alerta subdiagnosticado

Nos Estados Unidos, estima-se que cerca de 2 milhões de crianças e adolescentes sofram concussões a cada ano. Embora a maioria se recupere em até 28 dias, até 30% mantêm sintomas por períodos prolongados, afetando desempenho escolar, leitura, atividades físicas e qualidade de vida. Distúrbios visuais — como visão turva, cefaleia e fadiga ocular — são comuns nesses casos, porém frequentemente passam despercebidos nas avaliações neurológicas tradicionais.

Metodologia e achados do estudo

O estudo prospectivo avaliou 108 adolescentes com sintomas persistentes além de 28 dias após traumatismo craniano leve. Os participantes foram submetidos a três etapas diagnósticas:

  • Exame visio-vestibular (VVE): teste rápido para funções visuais e vestibulares
  • Exame oftalmológico completo, realizado por profissional especializado
  • Avaliação com tecnologia EyeBOX, dispositivo de rastreamento ocular por infravermelho

Entre os participantes, 67 adolescentes (62%) foram diagnosticados com distúrbios visuais relacionados à concussão. A condição mais comum identificada foi a insuficiência de convergência, alteração binocular que pode causar diplopia e desconforto visual durante tarefas de foco próximo, como leitura.

EyeBOX: dados objetivos com valor preditivo

A tecnologia EyeBOX analisou os movimentos oculares dos pacientes durante cinco ciclos de visualização de vídeos de 40 segundos, gerando uma pontuação chamada BOX score. Resultados relevantes incluem:

  • Pacientes com distúrbios visuais apresentaram média de BOX score de 8,1 ± 5,8, significativamente maior do que os que não tinham alterações (5,2 ± 4,1; p = 0,007)
  • A cada aumento de 1 ponto no BOX score, o risco de diagnóstico positivo para distúrbios visuais aumentava em 15%

Esses achados sugerem que métricas objetivas de eye-tracking podem auxiliar na triagem clínica, diferenciando pacientes que demandam avaliação oftalmológica especializada.

Olhar clínico: a importância da atuação do oftalmologista

A oftalmopediatra Dra. Christina L. Master, coautora do estudo e codiretora do programa Minds Matter do CHOP, destacou a importância do trabalho em equipe na condução desses casos:

“O exame oftalmológico completo continua sendo essencial para o diagnóstico de distúrbios visuais pós-concussão, especialmente porque essas alterações podem passar despercebidas nas avaliações de rotina.”

“Quanto antes conseguimos identificar esses quadros por meios objetivos e de fácil aplicação, mais cedo conseguimos encaminhar o paciente ao especialista e iniciar o tratamento adequado”, completou.

Referência:
Master, C. L. et al. Metrics of concussion-related vision disorders among children and adolescents with persisting post-concussive symptoms using an objective eye tracking device. Journal of Sport and Health Science (2025). DOI: 10.1016/j.jshs.2025.101058

 

Fonte: Ophthalmology Braking News

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