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Nesta quinta-feira, 10 de julho, o Brasil celebra o Dia Nacional da Saúde Ocular, uma data criada para conscientizar a população sobre a importância da prevenção, diagnóstico precoce e tratamento adequado das doenças que acometem os olhos. Para a comunidade oftalmológica, é também um momento de reflexão sobre os desafios ainda presentes no acesso à saúde visual e sobre o papel estratégico da especialidade na redução da cegueira evitável no país.

Estima-se que cerca de 80% dos casos de perda de visão poderiam ser evitados com cuidados básicos, exames regulares e tratamentos apropriados, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Ainda assim, milhões de brasileiros convivem com condições oculares não diagnosticadas ou tratadas tardiamente, especialmente em regiões de difícil acesso ou com baixa cobertura oftalmológica.

Segundo o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), as principais causas de cegueira evitável no país incluem catarata, glaucoma, retinopatia diabética, erros refrativos não corrigidos e degeneração macular relacionada à idade. Todas essas condições podem ser tratadas ou controladas, desde que diagnosticadas a tempo.

Para a oftalmologista e professora da Universidade de São Paulo (USP), Dra. Mônica Alves, que atua na linha de frente da saúde pública visual, o grande obstáculo ainda é a ausência de políticas contínuas de rastreamento e educação em saúde. “É necessário ampliar a cultura da prevenção ocular no Brasil. Muitas pessoas só procuram atendimento quando já há comprometimento visual significativo. A medicina preventiva, quando bem estruturada, é mais eficaz e menos custosa para o sistema de saúde”, destaca.

A criação do Dia Nacional da Saúde Ocular, por meio da Lei nº 12.303/2010, surgiu de um movimento pela obrigatoriedade do teste do reflexo vermelho em recém-nascidos — o chamado “teste do olhinho”. A medida foi um marco para o rastreio precoce de doenças congênitas graves como catarata congênita, retinoblastoma e glaucoma congênito. Desde então, o exame é obrigatório em maternidades e hospitais públicos e privados.

Mas, conforme alertam especialistas, o cuidado com a visão não deve se restringir à infância. O envelhecimento da população traz novos desafios à oftalmologia, com o aumento da incidência de doenças crônicas oculares e a necessidade de ampliar o acesso a cirurgias, tratamentos farmacológicos e reabilitação visual.

Além disso, o avanço da exposição a telas e dispositivos digitais, especialmente entre crianças e adolescentes, tem colocado em pauta o aumento da miopia e da síndrome da visão do computador — exigindo dos oftalmologistas não apenas diagnóstico clínico, mas também atuação educativa e de orientação à família e à escola.

Nesse contexto, a data de 10 de julho representa mais do que um marco no calendário. Ela é um convite à mobilização da classe médica para reforçar a importância da oftalmologia como especialidade preventiva, educativa e transformadora.

“A saúde ocular é um indicador da qualidade da atenção básica e também um termômetro da inclusão social. Ver bem é viver melhor, trabalhar melhor, aprender melhor. O desafio que se impõe é garantir que esse direito esteja ao alcance de todos, conclui.

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