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Classificação da miopia em axial, de curvatura e de índice orienta a conduta, e nova geração de lentes oftálmicas com tecnologia C.A.R.E. soma-se à atropina em baixa dose na desaceleração do crescimento axial em pacientes pediátricos

A projeção da Organização Mundial da Saúde de que metade da população global será míope até 2050 reposiciona o controle da progressão como prioridade na prática oftalmológica, sobretudo na infância, quando a intervenção precoce reduz o risco de complicações associadas à alta miopia. A diferenciação entre os tipos de miopia, observa Dra. Patrícia Kakizaki, oftalmologista e consultora da ZEISS Vision Brasil, é o que organiza a conduta clínica e amplia a adesão ao tratamento. “Compreender o mecanismo refrativo subjacente facilita a comunicação com o paciente e com os pais, e contribui diretamente para a adesão terapêutica”, afirma a especialista.

Miopia axial: foco do controle da progressão na infância

A miopia axial, forma mais prevalente, resulta do crescimento excessivo do globo ocular e geralmente se manifesta na infância, com tendência à estabilização ao final do crescimento, em torno dos 18 anos, ainda que sem regra absoluta. O risco a médio e longo prazo recai sobre as complicações associadas à alta miopia, entre elas descolamento de retina, glaucoma e catarata precoce, todas com potencial de perda visual permanente.

“Não esperamos a criança atingir a alta miopia, ou seja, seis graus ou mais, para intervir. O ideal é agir no início, em graus baixos, para controlar o avanço”, esclarece Dra. Patrícia. As lentes oftálmicas convencionais, lembra, corrigem o erro refrativo mas não atuam sobre a progressão. Por essa razão, a recomendação atual contempla a nova geração de lentes com tecnologia de desfoque periférico, com evidência científica de eficácia, isoladamente ou em associação com atropina em baixa dose, esta última especialmente indicada nos quadros de progressão rápida. Em adultos com grau estabilizado, procedimentos refrativos como LASIK, PRK e SMILE corrigem o erro refrativo, mas não revertem as alterações estruturais do globo, de modo que o risco de complicações nos altos graus persiste.

Miopia de curvatura: ceratocone como cenário principal

A miopia de curvatura decorre de maior curvatura da córnea ou do cristalino, com desvio refrativo correspondente. Acomete crianças e adultos e tem etiologias diversas, com destaque para o ceratocone, em que o afinamento e a protrusão corneana conferem o formato cônico característico. Outras causas incluem o espasmo acomodativo, com contração mantida do músculo ciliar e aumento da curvatura cristaliniana, o edema corneano e alterações metabólicas com impacto sobre o cristalino. Nos pacientes com ceratocone, a prioridade terapêutica é o acompanhamento e a estabilização da doença, com correção refrativa por meio de lentes oftálmicas durante essa fase.

Miopia de índice: marcador refrativo precoce de catarata

Mais frequente em adultos e idosos, a miopia de índice relaciona-se a alterações na composição do cristalino e, com frequência, configura sinal precoce de catarata. Nesses casos, a conduta é a facectomia com implante de lente intraocular.

Tecnologia C.A.R.E. e evidência clínica em lentes pediátricas

Em resposta ao desafio global da miopia infantil, a ZEISS Vision Care desenvolveu as lentes ZEISS MyoCare, indicadas para crianças de 6 a 10 anos, e ZEISS MyoCare S, para a faixa entre 10 e 17 anos. Ambas atuam sobre o alongamento axial por meio da tecnologia C.A.R.E. (Cylindrical Annular Refractive Elements, em português Elementos Refrativos Anulares Cilíndricos), cujo desenho alterna zonas de desfoque e zonas de foco. A eficácia na desaceleração da progressão da miopia é sustentada por dados de ensaios clínicos multicêntricos conduzidos em universidades de referência na Ásia e na Europa.

Prevenção, hábitos e diagnóstico precoce

A orientação aos pais inclui medidas comportamentais com efeito documentado sobre a incidência e a progressão da miopia. “Sempre oriento que devemos equilibrar as atividades, estimular ao menos duas horas por dia ao ar livre, limitar o tempo de tela e a leitura em distância muito próxima, e garantir iluminação adequada durante o estudo”, afirma Dra. Patrícia. O diagnóstico precoce permanece pilar do bom prognóstico, com consultas oftalmológicas anuais na infância, especialmente diante de histórico familiar. Em adultos, recomenda-se exames periódicos, manutenção de hábitos saudáveis, sono adequado, pausas visuais no trabalho e o tratamento das doenças oculares associadas, como catarata e glaucoma.

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