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A Síndrome de Down é uma condição genética que se caracteriza pela presença de um cromossomo extra no par 21. Por este motivo, é chamada de trissomia do cromossomo 21. Esta anomalia cromossômica gera algumas características específicas na aparência física, assim como pode levar a algumas patologias e condições de saúde. 
De acordo com a oftalmopediatra Marcela Barreira, especialista em estrabismo e neuroftalmologista, os problemas de visão são bastante prevalentes nas crianças que nascem com a síndrome de Down.
“Entre as condições visuais mais prevalentes na síndrome de Down estão o estrabismo e os erros refrativos, como a hipermetropia e a miopia. De acordo com a literatura, temos uma prevalência alta de hipermetropia, cerca de 40%. Já a miopia afeta cerca de 14% desta população”, comenta a especialista.
 
Estrabismo está presente em até 20% das crianças com Down
O estrabismo, um desalinhamento do eixo visual, é outra condição muito prevalente na trissomia do cromossomo 21. “Na prática clínica, a principal origem do estrabismo na síndrome de Down está relacionada à hipermetropia, que afeta a visão de perto. Para compensar a dificuldade de enxergar um objeto próximo, a criança acaba desviando os olhos. Felizmente, este tipo de estrabismo, chamado de acomodativo, pode ser corrigido por meio do uso de óculos”, reforça Marcela.
 
Acompanhamento oftalmológico deve ser contínuo
A medicina avançou muito nos últimos anos. Com isso, os tratamentos e as terapias que existem hoje permitem que as crianças que nascem com a síndrome de Down sejam estimuladas precocemente, para explorar todo o potencial de desenvolvimento motor, cognitivo, social e emocional.
“Como a visão é um ponto de atenção na trissomia do cromossomo 21, é fundamental que os pais escolham um oftalmopediatra, desde o nascimento, para acompanhar a criança e orientá-los sobre o desenvolvimento visual. É importante também fazer uma avaliação nos primeiros meses de vida para diagnosticar erros refrativos, estrabismo ou outras condições visuais, muito prevalentes nesta população”, reforça a oftalmologista.    
 
Olho preguiçoso
Além da hipermetropia, da miopia, do astigmatismo e do estrabismo, a síndrome de Down também aumenta o risco de desenvolver a ambliopia. Esta condição, mais conhecida como olho preguiçoso, ocorre quando a visão de um olho é melhor que a do outro. Os olhos captam duas imagens, que no cérebro são convertidas em uma única. Esta capacidade é chamada de visão binocular.
“Quando há presença da ambliopia, o cérebro sempre irá escolher a imagem captada pelo olho bom. Isso vai piorar a visão no olho afetado e pode levar à perda da capacidade de enxergar em 3D, profundidade, etc. Por isso, é essencial tratar a ambliopia com o uso de tampão. As causas da ambliopia são diversas, sendo o estrabismo e grandes diferenças de grau de um olho para o outro as mais frequentes”, explica.
 
Nistagmo e ceratocone
Há ainda outras condições que podem afetar a visão na síndrome de Down, como o nistagmo e o ceratocone. “O nistagmo é uma condição rara que causa tremores rítmicos e incontroláveis nos movimentos oculares. Em muitos casos, para conseguir o controlar os movimentos dos olhos, o paciente adotar posturas incorretas, como torcer o pescoço, por exemplo”, comenta.
 “Já o ceratocone é uma doença degenerativa que atinge a córnea. A estrutura se deforma e ganha um formato de cone, daí o nome ceratocone . A forma cônica da córnea leva ao astigmatismo irregular, com grande impacto da acuidade visual. Trata-se de uma condição que precisa ser acompanhada de forma contínua, principalmente nas crianças”, afirma a especialista.
 
Acesso aos tratamentos deve fazer parte da inclusão social
Por fim, Marcela, que atuou por cinco anos no Ambulatório de Diagnósticos da APAE de São Paulo, cita que a data serve para reforçar que a qualidade de vida de quem nasce com a síndrome de Down pode ser muito boa.
“Porém, para isso é preciso garantir que todos os pacientes tenham acesso aos tratamentos, preferencialmente de forma precoce. Com isso, podemos assegurar os direitos e, acima de tudo, um desenvolvimento que permita a exploração dos potenciais máximos de cada criança”, encerra a médica.

Fonte: Agência Health

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