Levantamento do H.Olhos registrou aumento de 23,7% nos atendimentos por ceratocone em 2026. A campanha de conscientização reforça o papel do oftalmologista na identificação precoce de uma condição que afeta principalmente jovens entre 10 e 25 anos.
Visão embaçada, imagens distorcidas e troca frequente de grau costumam ser atribuídas ao cansaço visual ou a ametropias comuns, e é justamente essa interpretação que atrasa o diagnóstico do ceratocone. Em levantamento realizado para o Junho Violeta, campanha anual de conscientização sobre a doença, o H.Olhos registrou aumento de 23,7% nos atendimentos relacionados à condição nos primeiros quatro meses de 2026, em comparação com o mesmo período de 2025.
O que acontece com a córnea
O ceratocone é uma ectasia progressiva caracterizada por afinamento e alteração da curvatura corneana, que assume formato cônico irregular comprometendo a qualidade óptica. Estima-se que cerca de 150 mil brasileiros desenvolvam a doença por ano, com pico de identificação entre os 10 e os 25 anos. O Dr. Klaus Anton Tyrrasch, especialista em Córnea e Doenças Externas Oculares do H.Olhos, aponta o principal obstáculo clínico: nas fases iniciais, muitos pacientes interpretam os sintomas apenas como alteração de grau, sem perceber que existe uma mudança estrutural acontecendo na córnea, o que pode favorecer a progressão e ampliar o impacto na visão.
Sinais que merecem investigação
Os sintomas mais comuns incluem:
• Visão borrada ou distorcida não corrigível de forma satisfatória com óculos
• Dificuldade para enxergar à noite e sensibilidade à luz
• Oscilações frequentes na refração
• Hábito de coçar os olhos, especialmente em alérgicos, fator associado à progressão da ectasia
Tyrrasch ressalta que a ausência de sintomas intensos nas fases iniciais não afasta a doença: alguns pacientes mantêm boa acuidade visual mesmo com alterações já presentes à topografia, o que torna a avaliação detalhada indispensável para estadiamento correto e conduta oportuna.
Diagnóstico e conduta
A confirmação diagnóstica exige topografia e tomografia corneana, capazes de mapear alterações ainda discretas e estadiar a doença. O manejo é escalonado:
Casos iniciais: correção com óculos ou lentes de contato rígidas ou esclerais.
Progressão ativa: crosslinking corneano, técnica minimamente invasiva que reforça as ligações do colágeno estromal e estabiliza a ectasia.
Casos intermediários: implante de anel intracorneano para regularização da superfície óptica.
Casos avançados: transplante de córnea, ainda a principal indicação cirúrgica da doença em pacientes jovens.


