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Com surtos ativos nos três países-sede e quase 2.000 casos confirmados nos EUA só em 2026, o vírus volta a ameaçar estruturas oculares que a maioria dos oftalmologistas em atividade nunca tratou.

Os três países-sede da Copa do Mundo de 2026 — EUA, Canadá e México — convivem com surtos expressivos de sarampo. Segundo o CDC, até 28 de maio de 2026 foram confirmados 1.983 casos nos EUA, distribuídos por 40 estados, com 93% vinculados a surtos ativos. O total já se aproxima dos 2.288 casos registrados em todo o ano de 2025 — o pior resultado americano em mais de três décadas. O Canadá perdeu seu status de eliminação no fim de 2025. No Brasil, a doença está erradicada, mas o fluxo intenso de viajantes durante o torneio cria risco real de reintrodução.

Por que o olho está em risco
O vírus do sarampo tem tropismo por epitélio respiratório, pele e conjuntiva. Os sinais oculares — hiperemia, fotofobia e as manchas de Koplik na mucosa oral — surgem três a cinco dias antes do exantema cutâneo, o que posiciona o oftalmologista como um potencial primeiro observador do caso. Estudo retrospectivo publicado em 2025 (Lazăr et al., Clinical Practice) com 250 adultos hospitalizados por sarampo em Bucareste encontrou lesões oculares em 93,2% dos encaminhados à avaliação oftalmológica, sendo ceratite a forma predominante (64,6%).

Complicações oculares: do mais frequente ao mais grave
Conjuntivite Presente em praticamente todos os casos; geralmente autolimitada. Fotoproteção e acompanhamento para descartar progressão.
Ceratite Mais frequente em adultos não vacinados. Dor, fotofobia e visão turva; risco de cicatriz corneana com perda visual permanente.
Úlcera de córnea Especialmente grave em pacientes com deficiência de vitamina A. Principal via para cegueira relacionada ao sarampo; tratamento com colírios antivirais ou antibióticos.
Retinopatia Rara. Pode causar perda visual temporária ou permanente; em casos excepcionais, manifesta-se anos após a infecção aguda.
Neurite óptica Associada a casos com encefalite. Tratamento com corticosteroides; prognóstico visual variável.

Grupos de maior risco
• Crianças não vacinadas (especialmente menores de 5 anos)
• Idosos e imunossuprimidos
• Pacientes com deficiência de vitamina A
• Gestantes — risco adicional de prematuridade, com sequelas visuais no neonato (ROP, ambliopia, estrabismo, alta miopia)
• Desnutridos

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