Tempo de leitura: 2 minutos

Pesquisadores japoneses desenvolvem abordagem menos invasiva que pode substituir injeções intraoculares repetidas em pacientes com AMD úmida

Um grupo de pesquisadores no Japão desenvolveu uma nova vacina de mRNA capaz de suprimir significativamente o crescimento anormal de vasos sanguíneos na retina — um dos principais fatores da forma úmida da degeneração macular relacionada à idade (AMD).

O estudo, conduzido em modelos pré-clínicos de camundongos, mostrou que a vacina intramuscular foi tão eficaz quanto as terapias anti-VEGF atualmente disponíveis, mas com a vantagem de evitar as repetidas injeções intravítreas. A descoberta abre caminho para um tratamento menos invasivo e potencialmente duradouro para a AMD e outras doenças oculares neovasculares.

AMD úmida: uma das principais causas de perda visual

A degeneração macular relacionada à idade é uma das principais causas de perda de visão em pessoas com mais de 60 anos, afetando cerca de 200 milhões de indivíduos em todo o mundo. Na forma úmida, a doença é marcada pelo crescimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina, que frequentemente apresentam vazamento de fluido, causando danos progressivos e perda visual.

Hoje, o tratamento padrão envolve injeções intraoculares frequentes de medicamentos antiangiogênicos, como os anti-VEGF. Apesar da eficácia, essas aplicações recorrentes representam um grande incômodo para os pacientes, e parte deles deixa de responder ao tratamento ao longo do tempo.

A proposta inovadora: vacina de mRNA para doenças da retina

A equipe da Science Tokyo e da Universidade Municipal de Yokohama, liderada pelo professor Satoshi Uchida e pelo professor visitante Yasuo Yanagi, desenvolveu uma vacina baseada em mRNA capaz de oferecer uma alternativa sistêmica, via injeção intramuscular.

O imunizante induz a produção de anticorpos contra a proteína LRG1 (leucine-rich alpha-2-glycoprotein 1), relacionada à angiogênese patológica e encontrada em níveis elevados em pacientes com AMD. Com isso, a vacina previne a formação de vasos anormais na retina.

Resultados pré-clínicos em modelos animais

Nos testes realizados em dois modelos de camundongos com neovascularização coroidal, os resultados foram promissores:

  • Modelo induzido a laser (21 dias após aplicação):
    • 85% de redução no vazamento
    • 82% de redução no tamanho das lesões
  • Modelo de CNV espontânea (28 dias):
    • 55% de redução no tamanho das lesões

Além disso, a vacina gerou resposta robusta de anticorpos já na primeira semana, com efeito semelhante ao das terapias padrão com anti-VEGF.

Perfil de segurança e possíveis vantagens

O imunizante demonstrou um perfil de segurança favorável, sem comprometer vasos normais, tecidos saudáveis da retina ou causar respostas imunes adversas em outros órgãos.

Segundo os autores, a vacina pode oferecer benefícios de longo prazo com apenas uma aplicação intramuscular — reduzindo a sobrecarga dos pacientes em comparação às injeções oculares repetidas.

“Ao contrário dos tratamentos convencionais que exigem aplicações intravítreas frequentes, essa vacina pode garantir efeitos prolongados com uma única dose”, destacou o Prof. Uchida.

Expansão das aplicações do mRNA além das doenças infecciosas

Inspirado pelo sucesso das vacinas contra a COVID-19, o grupo japonês buscou ampliar o uso da plataforma de mRNA para além das doenças infecciosas e do câncer, alcançando condições crônicas oculares.

Segundo os pesquisadores, este é o primeiro estudo a demonstrar que uma vacina de mRNA pode suprimir a neovascularização patológica em modelos animais de doenças oculares.

Referências

Yasuo Yanagi et al, mRNA vaccination mitigates pathological retinochoroidal neovascularization in animal models, Vaccine (2025). DOI: 10.1016/j.vaccine.2025.127451

 

Fonte: Ophthalmology Breaking News

Compartilhe esse post