Pesquisadores da School of Optometry & Vision Science da Universidade de Waterloo (Canadá) desenvolveram um novo método para avaliação visual em crianças pequenas, o Waterloo Differential Acuity Test (WatDAT). O teste representa um avanço importante para medir com precisão a acuidade visual de crianças com menos de três anos, faixa etária na qual os exames convencionais não são eficazes devido às limitações cognitivas e verbais.
A importância da detecção precoce
Estima-se que 14% das crianças entre dois e quatro anos apresentem algum tipo de problema de visão, como ambliopia (olho preguiçoso), hipermetropia significativa ou astigmatismo.
Em casos mais raros, condições como catarata congênita podem comprometer o desenvolvimento visual normal.
Esses distúrbios, contudo, muitas vezes passam despercebidos.
“Esses problemas não são facilmente perceptíveis e as crianças não reclamam de má visão, porque não sabem o que é enxergar bem”, explica Susan Leat, professora emérita e pesquisadora principal do estudo.
Segundo a especialista, identificar precocemente essas alterações aumenta as chances de tratamento bem-sucedido e evita impactos duradouros na visão.
Limitações dos testes atuais
Os métodos pediátricos tradicionais utilizam o acompanhamento dos movimentos oculares para avaliar se o bebê reage a padrões visuais, como listras versus superfícies lisas.
Embora úteis, esses testes não medem a capacidade de distinguir detalhes finos, essencial para o diagnóstico de deficiências visuais específicas.
A partir dos três anos, oftalmologistas costumam aplicar testes de nomeação ou associação de figuras, que dependem de habilidades cognitivas ainda em desenvolvimento em crianças menores — limitando sua aplicabilidade nessa faixa etária.
Como funciona o WatDAT
O WatDAT introduz uma abordagem simples e lúdica, adequada para crianças a partir de 18 meses.
O teste exibe quatro figuras — três idênticas e uma diferente (por exemplo, três círculos e uma casa).
A criança deve apontar a imagem diferente, e o processo é repetido com figuras progressivamente menores até que ela não consiga mais distinguir.
Essa estrutura reduz a carga cognitiva e aumenta a acessibilidade do exame.
Nos estudos realizados, todas as crianças com 24 meses ou mais, dentro do desenvolvimento esperado, conseguiram completar o teste binocularmente.
Comparação com outros métodos
Na comparação com dois testes pediátricos amplamente utilizados, o WatDAT demonstrou melhor desempenho em termos de idade mínima de aplicabilidade, mantendo tempo de execução semelhante.
Mesmo entre crianças com alterações visuais, de saúde geral ou nascidas prematuras, a maioria conseguiu realizar o teste com sucesso.
Potencial de aplicação ampliado
“Acreditamos que o WatDAT pode ser útil para avaliar a visão em pessoas de todas as idades com deficiências intelectuais ou de desenvolvimento”, afirma a Supriya Aryal, coautora.
Ela acrescenta que o método poderá futuramente ser aplicado em avaliações de baixa visão em diferentes faixas etárias, embora mais estudos sejam necessários para validar essa possibilidade.
Versões digital e impressa em testes finais
O WatDAT encontra-se atualmente em fase beta no Canadá, Estados Unidos e Reino Unido.
Especialistas relatam alta aceitação entre as crianças, que encaram o exame como um jogo.
A versão digital inclui animações e recompensas visuais, enquanto a versão impressa é adaptada para uso em clínicas tradicionais.
Os pesquisadores pretendem comercializar o teste após a conclusão da fase de validação internacional.
Referência:
Aryal, S. et al. The Waterloo Differential Acuity Test (WatDAT) — Testability and normative data. Ophthalmic and Physiological Optics (2025). DOI: 10.1111/opo.13565



