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Com seis casos clínicos, votação da plateia por QR code e um painel formado por especialistas de quatro países, a sessão patrocinada pela Johnson & Johnson mostrou que, na escolha da LIO, raramente existe uma única resposta correta

Na sexta-feira, 21 de agosto, o Salón E do Faco Extrema recebeu o simpósio da Johnson & Johnson “¿Qué harían los expertos? Casos reales en PCIOLs”, conduzido por José Manuel Díez del Corral (Espanha) e com a participação de Rachel Gomes (Brasil), Juan José Mura (Chile) e Santiago Onnis (Argentina).

O moderador abriu a sessão delimitando o caráter da atividade. “Quero ressaltar que este é um evento de educação profissional. Aqui não há publicidade de marcas”, disse, ao agradecer o patrocínio. O tema, resumiu, era encontrar “o par de dança perfeito para cada paciente”.

Seis casos, votação aberta e nenhuma resposta pronta

O formato foi o mesmo em todos os casos. Díez del Corral apresentava um paciente real, operado por ele, com exames e demandas visuais. Em seguida, listava as opções de conduta e abria a votação da plateia por QR code. Só depois o painel comentava cada alternativa. Os palestrantes não tiveram acesso prévio às perguntas, uma escolha deliberada do moderador para garantir um debate sem respostas ensaiadas.

“Como vocês vão perceber, em nenhum dos casos clínicos há opções radicalmente absurdas nem uma opção correta”, afirmou. “Trata-se de debater o que nos interessa mais.”

Foram seis casos ao todo: uma desenhista de 72 anos com catarata incipiente e alta exigência de qualidade visual; uma paciente de 88 anos com drusas maculares; uma ex-professora universitária de 89 anos com astigmatismo oblíquo de cerca de uma dioptria; um homem de 73 anos com aberração esférica elevada e divergência entre fórmulas de cálculo; uma paciente de 60 anos submetida a LASIK miópico de sete dioptrias há 17 anos; e um homem de 46 anos com LASIK hipermetrópico regredido por completo.

Expectativa do paciente e o peso da informação

No primeiro caso, Rachel Gomes chamou atenção para o paciente que chega ao consultório já com opinião formada. “Estamos vivendo um momento em que os pacientes acham que são especialistas, com ChatGPT e muitas ferramentas de inteligência artificial, e chegam dizendo que não querem halos, não querem glare”, observou. Para ela, cabe ao cirurgião contrapor objeções com informação técnica, sem transformá-las em contraindicação automática.

Ao final do bloco, o moderador revelou sua conduta real: implantou uma TECNIS PureSee buscando alvo refracional miópico e obteve visão de longe, intermediária e de perto na unidade. “Como costumo dizer, não tentem isso em casa”, brincou, ao ressaltar que não se trata de um resultado padrão.

Comorbidade não é veto automático

O caso da paciente de 88 anos com drusas foi o que mais dividiu a plateia. Consultado como retinólogo, Santiago Onnis surpreendeu o moderador ao não descartar a correção da presbiopia. Segundo ele, a zona elipsoide estava preservada e a fovéola, livre. “Com essa idade, é possível optar por qualquer lente”, disse, acrescentando que teria mais receio diante de uma paciente tabagista, pela progressão mais rápida da degeneração.

A Dra. Rachel Gomes ponderou que, em uma paciente mais jovem, iria de monofocal plus, justamente pelo componente evolutivo da doença. “Concordo que a TECNIS PureSeeTM, ou outra EDOF refrativa, pode ser uma boa opção para essa paciente. Temos resultados muito bons com esse tipo de lente”, afirmou.

O Dr. Juan José Mura foi na direção oposta, ancorado no horizonte de vida da paciente. “Quando a gente tem 15 anos, vive pensando em quando tiver 40. Quando tem 88, vive pensando no hoje e no amanhã”, disse. Com o aval do retinólogo sobre o estado da mácula, ofereceria uma trifocal: “Tiraria um problema da vida dela.”

Astigmatismo e planejamento

O terceiro caso levou o debate para a correção do astigmatismo baixo, e o consenso foi mais nítido. “Algum de vocês deixaria intencionalmente uma dioptria de hipermetropia? Então por que vai deixar uma dioptria de cilindro?”, provocou Díez del Corral.

Mura defendeu a trifocal tórica para aquela paciente específica, por ser mais previsível do que a incisão limbar, embora use bastante essa técnica na rotina. Já a Dra. Rachel reforçou a busca sistemática pela emetropia e o cálculo de todos os casos para tórica. “No Brasil, conseguimos tirar o problema financeiro, porque não há muita diferença entre o preço da lente tórica e da não tórica”, relatou. O painel reforçou ainda a necessidade de olhar a face posterior da córnea antes do cálculo, sobretudo nos astigmatismos contra a regra.

Onnis somou ao argumento a questão do tempo. “O paciente não compra um vinho para tomar daqui a 15 anos, compra um vinho para tomar naquela noite”, comparou, ao defender a correção mais precisa possível no presente.

Quando a córnea manda no planejamento

Sobre o paciente com aberração esférica elevada, Rachel Gomes foi direta: “O implante de uma lente full range não é uma questão de sorte.” A alta aberração, para ela, funciona como sinal de alerta e desloca a escolha para uma lente de foco estendido. Provocada pelo moderador sobre a possibilidade de retoque com excimer, respondeu que prefere jogar seguro.

No caso da paciente com LASIK miópico de sete dioptrias, ela apresentou uma leitura distinta. “Tenho outra perspectiva: um paciente que já provou uma vida sem óculos quer seguir uma vida sem óculos”, argumentou, lembrando que esses pacientes já estão adaptados às aberrações induzidas e que os cálculos atuais são seguros.

Ao fim da sessão, o moderador resumiu o fio condutor dos seis casos em uma frase que atravessou toda a discussão: “Não operamos olhos, operamos pessoas.”

*Conteúdo patrocinado Johnson & Johnson.

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