Especialistas argentinos detalharam o novo desenho óptico da lente, a curva de desfoque sem vales e o impacto da tecnologia na conversa com o paciente présbita
O lançamento latino-americano do Clareon® PanOptix® Pro, lente intraocular trifocal e trifocal tórica da Alcon, foi o tema do simpósio “Pro Evolution: Elevating Premium Cataract Surgery”, realizado nesta sexta-feira, 21 de agosto, no Main Stage do Faco Extrema. Sob o mote “Descubra uma maior utilização da luz”, quatro apresentações costuraram dados de bancada, curvas de desfoque de casuística própria e uma discussão franca sobre indicação e posicionamento da cirurgia premium.
A mesa foi conduzida por Gerardo Valvecchia e Carlos A. Ferroni, com apresentações de Fernando Arasanz, do próprio Ferroni e de Carolina Rodríguez, que substituiu Hugo Scarfone na palestra sobre curva de desfoque.
A lição que veio da Fórmula 1

“Ninguém consegue criar mais luz, mas é possível utilizá-la de forma mais inteligente”, resumiu o cirurgião, ao transpor o raciocínio para o desenho óptico da nova lente. Segundo ele, a mudança é sutil na geometria e relevante no resultado: a perda de luz, que era de 12% na plataforma anterior, caiu para 6%, o que, em sua avaliação, posiciona o modelo como a lente intraocular multifocal com maior aproveitamento da energia luminosa disponível no mercado.
Arasanz destacou ainda um ganho de 16% em sensibilidade ao contraste em relação a outras lentes, ponto que classificou como o eterno trade-off da multifocalidade. “É isso que precisamos discernir na hora de indicar: queremos dar independência dos óculos com o mínimo de distúrbios visuais”, afirmou. A redistribuição da energia, acrescentou, se traduz sobretudo em desempenho para longe e intermediário, faixa cada vez mais demandada por pacientes que querem ler mensagens no relógio inteligente a cerca de 40 centímetros.
Curva de desfoque, halos e uma escala feita com IA

Para tentar objetivar a queixa de halos, o cirurgião desenvolveu com inteligência artificial uma escala visual de imagens noturnas, entregue ao paciente no celular para que ele identifique a situação que mais se aproxima da sua experiência ao dirigir à noite. Em oito pacientes bilaterais avaliados até agora, nenhum ultrapassou o nível 4 da escala, patamar que ele considera ótimo. “Como na Fórmula 1, o avanço não esteve em mudar toda a lente, mas em identificar onde estava a perda de eficiência”, concluiu.
Perto, longe e tudo o que existe no meio

O especialista percorreu a própria trajetória com lentes para presbiopia, das plataformas bifocais às trifocais, até chegar à combinação de material Clareon com desenho PanOptix, que resolveu perto em torno de 38 a 42 centímetros, intermediário em cerca de 70 centímetros e longe. Com a versão Pro, disse, mudou o roteiro da consulta. “Eu explicava que não existem lentes acomodativas e que o paciente teria esta, esta e aquela distância. Isso acabou”, afirmou, ao descrever hoje um intervalo contínuo de acuidade visual entre 40 e 70 centímetros e daí ao infinito.
Ferroni citou menor dependência das condições de iluminação para leitura, menor dispersão da luz e sensibilidade ao contraste superior como os três diferenciais da atualização. Sobre segurança da indicação, relatou que implanta lentes para presbiopia desde 1998 e precisou explantar apenas duas ao longo de todo o período. Em sua prática, cerca de 75% dos implantes são trifocais, decisão que ele atribui menos ao perfil do paciente e mais à vocação do cirurgião. “Não existe o perfil ideal de paciente. Se eu procurar o perfil ideal, não vou encontrar”, disse, diferenciando contraindicação médica real de desculpa para não corrigir a presbiopia.
O que a curva de desfoque mede, e o que ela mostrou

A palestrante traduziu as dioptrias abstratas em atividades cotidianas: zero dioptria corresponde à visão de longe, como dirigir e assistir à televisão; menos 1,50 D equivale a cerca de 67 centímetros, faixa de telas e painéis; menos 2,50 D representa os 40 centímetros da leitura; e menos 4,00 D, os 25 centímetros de tarefas de altíssimo detalhe.
Na comparação entre a curva de uma trifocal convencional e a da nova plataforma, Rodríguez apontou o desaparecimento progressivo dos vales ópticos entre os picos, com visão mais contínua e desempenho mantido acima de 20/25. Ela atribuiu o comportamento a 50% menos dispersão de luz, o que reduz halos e ofuscamento noturno, a 94% de aproveitamento da luz e a 16% mais sensibilidade ao contraste, com ganho especialmente perceptível entre longe e intermediário. Na casuística apresentada, a curva se mostrou quase totalmente aplanada, com rendimento próximo de 20/20 a 20/25 em menos 1,00 D e platô na visão de perto, o que, segundo ela, sustenta a leitura contínua.
Vídeo cirúrgico e a valorização da prática premium

Valvecchia foi transparente sobre a natureza do espaço, patrocinado pela Alcon, e disse que a maturidade profissional do grupo impede que falem de tecnologias nas quais não acreditam. Recorrendo a uma analogia de Ferroni sobre o mercado automotivo, argumentou que a clientela tende a se reproduzir por indicação dentro da mesma faixa de valor, e defendeu que bons resultados sustentam o posicionamento do cirurgião. “Nós amamos o que fazemos e queremos que a retribuição seja justa e compatível”, afirmou.
*Conteúdo patrocinado pela Alcon.


