Na manhã do último dia da 15ª edição do FacoExtrema, o Main Stage do congresso recebeu um dos debates mais aguardados do evento, promovido pela Johnson & Johnson MedTech. Sob o título “¿Qué lente para qué paciente?”, especialistas de diferentes países discutiram os critérios de escolha entre as lentes intraoculares TECNIS PureSeeTM e TECNIS OdysseyTM, dois dos lançamentos mais recentes da companhia para correção da presbiopia. A sessão reuniu José Manuel Diez del Corral, que conduziu a apresentação técnica, Rachel Gomes, Gerardo Valvecchia, além de outros cirurgiões que participaram ativamente do debate.
Um idioma comum para falar de lentes premium
Diez del Corral abriu sua fala reforçando a importância da classificação global de lentes de visão simultânea, construída a partir do consenso entre grupos de trabalho internacionais como ASCRS e Ásia-Pacífico. Segundo o especialista, o setor ainda convive com muitos claims comerciais que não refletem evidência científica, o que reforça a necessidade de um vocabulário técnico comum. Nessa classificação, as lentes se dividem em dois grandes grupos, as de profundidade de campo parcial (Partial Depth of Field), que incluem monofocais, EDOF enhanced e EDOF extended, e as de profundidade de campo completa (Full Depth of Field), categoria que abrange desde os antigos bifocais até as lentes contínuas mais recentes, como a TECNIS OdysseyTM.
Duas filosofias diferentes
O palestrante detalhou as diferenças entre as duas tecnologias. A TECNIS PureSeeTM é uma lente EDOF puramente refrativa, sem anéis difrativos, o que preserva o contraste e reduz a incidência de fenômenos fóticos a níveis comparáveis aos de uma lente monofocal. Sua potência nominal está concentrada no centro óptico, característica que, segundo Diez del Corral, mantém bom desempenho mesmo em pupilas mióticas e oferece maior tolerância a pequenos erros refrativos residuais.
Já a TECNIS OdysseyTM é uma lente difrativa de rango completo, projetada para buscar a independência total, ou quase total, dos óculos. Seu principal diferencial é a tolerância ao desfoco, algo inédito nessa categoria: erros de até 0,50 D de esférico ou 0,75 D de cilindro não comprometem de forma relevante a acuidade visual. Diez del Corral foi enfático ao lembrar que nenhuma lente está livre de fenômenos fóticos, inclusive as monofocais, mas destacou que o desenho da TECNIS OdysseyTM consegue tornar esses fenômenos pouco incômodos na rotina do paciente.
Perfil de paciente: refração, idade e comorbidades

A idade do paciente também entrou na discussão, com opiniões divergentes. Diez del Corral defendeu que pacientes jovens, com cristalino transparente e alta exigência visual (motoristas noturnos, usuários intensos de telas, maior expectativa de vida), tendem a se beneficiar mais de uma lente que preserve o contraste, como a TECNIS PureSeeTM, evitando arrependimentos futuros caso surjam comorbidades ao longo da vida. Juan José Mura, no entanto, ponderou que o mecanismo pupilar tende a compensar naturalmente as mudanças relacionadas à idade, e afirmou preferir a TECNIS OdysseyTM mesmo em pacientes jovens, desde que o paciente compreenda que toda escolha de lente envolve uma troca: para ganhar em uma distância, é preciso ceder em outra.

O tema das comorbilidades também foi abordado. O painel concordou que lentes que preservam mais contraste, como a TECNIS PureSeeTM, seguem sendo preferíveis diante de comorbidades retinianas ou de superfície ocular, embora a TECNIS OdysseyTM já tenha ampliado o leque de pacientes elegíveis para uma lente de rango completo, incluindo casos de glaucoma leve a moderado estável ou pequenas alterações maculares não progressivas.
Um dado curioso: a altura do paciente
Em um dos momentos mais comentados do debate, Santiago Onnis chamou atenção para um critério pouco discutido na literatura, a estatura do paciente. Segundo ele, pessoas mais altas tendem a posicionar o material de leitura a uma distância maior do olho, o que aproxima sua distância de leitura confortável da visão intermediária. Onnis recomendou aos colegas observar a distância de leitura espontânea do paciente durante a consulta como um tip prático adicional na escolha da lente.
Sem lente de segunda categoria
Ao encerrar sua apresentação, Diez del Corral reforçou um ponto que considera central: tratar uma lente EDOF como opção “de segunda linha” é um erro. Em muitos casos, destacou, ela é a melhor escolha para o paciente. O especialista também defendeu que a tolerância ao desfoco de lentes como a TECNIS OdysseyTM não deve ser motivo de relaxamento no rigor do exame pré-operatório, já que tecnologias de alta performance exigem, igualmente, execução tecnicamente impecável.
Por fim, ele projetou uma tendência para os próximos anos: as lentes EDOF caminham para entregar cada vez mais visão de perto, enquanto as lentes de rango completo avançam para entregar cada vez mais qualidade visual, uma aproximação que, segundo o painel, deve tornar a decisão entre as duas categorias cada vez menos baseada no tipo de lente e cada vez mais centrada no perfil individual de cada p


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